segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Catavento


Eduardo estava muito cansado. A vida que levava não era a que havia planejado quando começou a faculdade. A caminho de casa na volta do trabalho, viu o menino malabarista e pensou no seu filho querido, amado, e sem noção do que estaria por vir. Hoje Eduardo achava quase injusto colocar o moleque em um mundo tão violento e desigual, onde passaria a maior parte de sua vida preocupado, com contas a pagar e lutando contra a infelicidade. Na verdade ele teve esse filho para satisfazer Fernanda, mesmo que por vezes machucasse seu coração admitir essa verdade. Ainda na sinaleira, comprou um cata-vento para o garoto.
Seguiu o mesmo caminho que fazia há mais de 8 anos. Ele estava realmente cansado. Chegou em casa e recebeu um beijo da mulher, um beijo também cansado e igual, mas um abraço do filho, um abraço que parecia ser novo a cada dia.
Já estava perto do fim do mês e era hora de sentar e repassar as contas que tinha para pagar. A luz amarelada da sala o agoniava ainda mais, mas era preciso terminar logo o que tinha para fazer, pois no dia seguinte ele precisava acordar cedo.
- Papai, papai vem ver!!!!
- O papai tem coisas importantes para fazer filho, outra hora você me mostra ok?

O menino foi para sacada do apartamento ainda por quitar, levantou seu cata-vento e disse para si mesmo:
- Uau! O vento faz mágica!

Eduardo estava cansado, preocupado com coisas que o tempo lhe fez julgar importante e nunca presenciou o dia em que o universo tomou consciência de si através de suas células renovadas. O menino, por sua vez, nunca mais sentiu tamanha admiração pelo resto de sua vida.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Procura-se



A solidão que vaga perdida em pensamentos, distraída
O perfeito tão imperfeito que já desistiu de tentar se explicar
Preocupa-se mais em entender
E não se cansa de buscar

Já nasceu adulto e nunca desistiu de ser criança
É o medo da vida
Sempre em busca da mudança

Sua admiração é natureza
Sua confiança é sua sorte
Ainda que poucas pessoas
Olha nos olhos e abraça forte

Tem a alegria que um dia possuí
De procurar no outro o que até hoje
Só conseguiu encontrar dentro de si.

sábado, 5 de setembro de 2009

Leonora e Murilo: o Metrossexual

O Marido andava muito perfumado ultimamente. Leonora andava estranhando seu comportamento. Junto com a cerveja, agora ele comprava chicletes e já fazia algum tempo que havia voltado a passar suas camisas antes de usá-las.
Ela tomou coragem e decidiu entrar em ação: Pediu folga no serviço, levou as crianças para casa da avó, comprou lingerie nova, 4 garrafas de vinho e passou a tarde no salão.Fez cabelo, unhas, depilação e ouviu muitas dicas da Marineti, uma nordestina arretada que se orgulhava de seus mais de 15 anos como manicure.
Chegou em casa ansiosa, e enquanto lia artigos sobre sexo depois do casamento tomou uma garrafa. Enquanto refazia sua chapinha tomou mais meia e já dava graças à Dioníio sentindo-se preparada. O marido se atrasou, mas ela sabia como era a vida de um jornalista, ele nunca tinha horário certo pra voltar.
Juntos riram como há anos não faziam e tomaram mais uma. Quando ele chegou a ver sua lingerie ela já estava dormindo, pois há muito tempo ela não bebia daquele jeito.
De qualquer forma, ela achou que seu casamento estava de volta nos eixos e o fato de ele passar suas próprias camisas a poupava trabalho.
- Murilo, o que é isso nas suas costas?
- Nada. – disse o marido tapando os ombros com uma toalha.
- Nada uma ova, me deixa ver isso.
Leonora era insistente e também era forte. Com um movimento só, jogou o marido no sofá e arrancou a toalha.
- Uma tatuagem Murilo? Que merda é essa?
- Não era para você ver. Eu ainda nem colori.
- Que porra é essa homem? Duas estrelinhas e ainda vai colorir? O quê foi agora? Quer ser a nova Monique Evans?
Murilo se irritou, cobriu as tatuagens e se levantou.
- Monique Evans o cacete. Puta velha feia!
- O pessoal todo da academia tem estrela tatuada. Tá na moda.
- Academia? Você tá fazendo academia? O que mais você tá aprontando?
- Ah, me deixa.
As semanas se passaram e ela tentava não dar bola para os comentários alheios. Seu marido não era viado, era metrossexual. E daí? Ele era um bom homem. Sempre a elogiava, faziam as unhas juntos e dividiam além das escovas, todos os cremes da linha Chronos.
Ela ficou um pouco chocada quando o Murilo apareceu em casa com o peito depilado, mas o medo só tomou conta dela quando ele resolveu furar a orelha e deixar o cabelo crescer como quando tinha 16 anos.

Algumas amigas a aconselharam a maneirar com o marido, disseram que ele tinha acabado de fazer 40 anos, era crise. Outras mandaram Leonora abrir o olho, pois ele devia ter arranjado uma namoradinha mais nova e estava fazendo essas coisas todas para impressionar a piranha. Leonora, que não sabia o que fazer, achou melhor seguir os dois conselhos.

Se por um lado as mudanças a assustavam, por outro até que ela tava gostando. Ficava secretamente orgulhosa em ver o marido bem mais magro, sem pêlos saindo pelo nariz e orelhas e vestindo roupas limpas e novas. Ficava ouvindo na extensão quando alguém telefonava e checava as ligações no celular quando ele entrava no banho. Não havia nada de estranho.

Estava começando a se acostumar com as transformações, quando um dia, Murilo chegou em casa com mais uma novidade.

- Ah, não. Megahair loiro não! Tudo tem limite!

Encheu umas malas de roupa, pegou as crianças entrou no carro e saiu sem dizer nada.

Murilo nem se abalou. Colocou sua máscara Chronos noturna, desempoeirou um LP, pôs no aparelho, deu um nó da camisa e, dublando, balançou os cabelos novos diante do espelho:

- Chorando se foi quem um dia só me fez chorar...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Se deixe conhecer...


Betê tinha três casacos. Um quente e confortável, de lã e de gosto duvidoso. Tinha também aquele preto que todo mundo tinha, curto demais, que não esquentava. E por fim tinha aquele social, o caro, que ela comprou no mesmo dia em que recebeu seu terceiro salário como atendente no escritório de contabilidade. Ela não costumava usá-lo, achava que só ficava bonito nas pessoas que ela gostaria de ser.
Betê tinha esse apelido porque adorava beterraba. Ela não era tecnicamente gorda, ela era grande, do tipo que não se enquadra nos padrões de beleza atuais. Ela era muito sensível, embora ninguém o soubesse. Possuia duas amigas que a tinham como conhecida. Preferia passar seu tempo com os animais e sentia que a modernidade mascarava o verdadeiro espírito humano. Betê tinha uma cadeira de leitura preferida em sua sacada, ela havia comprado um crisântemo com o qual conversava silenciosamente todas as tardes.
Betê gostava de estar sempre de unhas feitas. Ela se sentia muito sozinha e sabia que se alguém lhe desse uma oportunidade ela iria respeitar, ouvir, e dividir seu universo com aquele alguém. Antes de dormir por vezes se imaginava uma sereia ruiva à lua cheia. Betê queria causar paixão e calafrio. Encantar e criar medos, saber de segredos e experimentar as mais intensas emoções.
Ela gostaria de cantar e escutar um elogio, mas nunca teve coragem de cantar em público. Afinal ela não tinha voz para fazê-lo. Queria fazer uma viagem em grupo, queria ter um grupo de amigos com que pudesse viajar sem direção nem freio.
Ela podia ser tão feroz quanto gentil. Possuía uma curiosidade quase infantil. Tinha planos de se tornar psicóloga ou neurologista, ainda não sabia. A mente humana a encantava. Estava começando uma poupança, pois queria comprar um apartamento só seu aonde pudesse levar seu crisântemo e adotar um gato amarelo.
Betê nunca soube de seu apelido, nem que ninguém a sua volta sabia seu verdadeiro nome. Quase ninguém conheceu Betê, ela era apenas a moça da recepção. Nunca ninguém quis aproximar-se realmente dela. Ela se foi e levou consigo um mundo que nunca soube dividir.
Quando servem beterraba no restaurante que costumava almoçar, alguns (poucos) colegas lembram-se, mas raramente comentam, como ela digitava rápido e de como seu café nem era tão bom assim.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Uma história qualquer


Ela andava apressada carregando bolsa, papéis, livros, e a alça do seu sobretudo a incomodava. Ahhh aquele era um bom momento para um café.
Ela havia saído atrasada.
Depois de brigar com o despertador, ligá-lo e desligá-lo por incansáveis vezes, ela se rendeu. A partir daquele momento seu tempo não a pertencia. Foi ao banheiro, lavou o rosto e olhou fundo nos olhos daquela estranha que lhe dizia: Coragem!
- Por segundos sua noção de tempo parou e ela sentiu um pouco de consciência plena mesmo que não definisse em imagem seus pensamentos.

Saiu do transe, vestiu a calça de ontem, a blusa da semana passada (aquela em que ela se sentia segura), deu um nó no cabelo, escovou os dentes enquanto calçava as botas e pensava que já era hora de comprar sapatos novos.
Pegou a bolsa correndo, aquela de sempre, a maior, cheia de coisas inúteis e velhas, mas ainda sim pesada demais. Pegou seus livros e somente ao descer as escadas notou que estava chovendo.
Procurou a sombrinha, mas ela a havia tirado na noite anterior, pois a bolsa estava muito pesada.
Ela não tinha tempo pra voltar. Seu tempo não a pertencia e ela já tinha perdido muito dele parada na porta do prédio pensando a respeito. Esses poucos segundos significavam muito para o motorista do ônibus. Ela decidiu correr, já era tarde de mais. Droga! Ela realmente não queria se atrasar. Havia se atrasado ontem e jurava pra si mesma que havia feito o possível, mas mais uma vez simplesmente não conseguiu, seu corpo não permitiu. E agora suas ligações peptídicas a entristeciam. Ela se sentia uma vítima. Uma vítima que não tinha tempo de se lamentar.

Resolveu acender um cigarro. - Bons tempos aqueles em que não se sabia o mal que ele fazia, disse pra si mesma. Procurou pelo isqueiro. Maldita bolsa aonde não se acha na...
- Fogo? - Perguntou uma voz atrás dela.
(Susto!)
Novamente foi como se o tempo parasse e ela desejou que ao olhá-lo no rosto, finalmente visse aquele por quem esperava a vida toda.
- Claro, aqui está.
- Ahh obrigada.
-(risos quase inaudíveis).
- Qual a pergunta que povoa seus pensamentos hoje? - disse ele.
- Como? (ele era belo, diferente e a olhava nos olhos. Dois infinitos dos quais ela não conseguia desviar o olhar)
- Te ofereço um café quente em troca de tuas idéias, ali naquela padaria, do outro lado da rua.
O próximo presente que ela se lembra é de que ele resolveu molhar o biscoito no leite. Costume grosseiro, mas ele não parecia se importar. Ela estranhamente também não se importava. Descobria que todas as idéias dele eram baseadas no mundo das idéias de Platão e que ele admirava a força de Kant por buscar nas ciências as respostas que formulou na filosofia. Ele usava uma camiseta preta e por cima uma camisa xadrez, seu tênis era velho e seu livro era de história. No bolso ele levava chicletes.
Ela não sabia o que ele fazia, de onde tinha vindo nem para onde ele iria. Mas se sentia feliz em saber que ele entendia que haviam coisas mais relevantes a serem divididas.
Ele nem sempre concordava com o que ela dizia, mas usava de argumentos respeitosos, lógicos e interessantes para expor seus pontos de vista. Ela notou que ele admirava a natureza, que seu cabelo molhado pela chuva o deixava ainda mais belo e que ele não tinha uma idéia formada sobre Deus. Que fumava malboro vermelho, e que tinha um canto da mão sujo de tinta. Descobriu que para ele a crise ecológica era necessária para a evolução do pensamento humano sobre a fragilidade do planeta e que tinha um ótimo senso de humor. Percebeu que poderia passar o resto da vida dividindo memórias com aquele universo que se materializava em idéias a sua frente e que talvez a felicidade plena existisse enfim.....................................................
Quando se deu conta, saiu novamente de seu transe mental e todos os motores voltaram a funcionar. Chovia muito e a avenida estava novamente barulhenta.
O próximo ônibus se aproximava.
Seu cigarro havia acabado.
Ela olhou para o isqueiro verde e pensou... Não foi desta vez... Tentou pensar quem seria seu dono... Ela tinha essa mania de esquecer-se de devolver coisas alheias... Agora já não fazia diferença: Ela estava atrasada.

sábado, 8 de agosto de 2009

Corpo nú


Tiro o mundo que há em mim.
Para o chão, as histórias que me vestem.
Vejo então, a mulher de hoje
ansiando por disfarces.
Constrangida.
Revestida por sua imagem esquiva,
há bom tempo relegada.
Estranha, agora, hei de te encarar.
Fostes modificada pelo tempo,como não percebi?
Mudanças que suscitam a veleidade de me lamentar.
Mas só me resta cuidar dos restos do que um dia fostes
suportar o escrutínio e prestar-te contas adiadas.

Apontas meu pai e minha mãe,
em ângulos, vislumbrados.
O rosto e as mãos do amante,
na lembrança, reencontrados.
Mas, não. Hoje, não.
Mesmo que tudo
pareça convergir ao chão,
hoje, não.
Falar deles é fugir de ti,
estranha,
mesmo que te tenham dado,
uns e outro, a
vida e posse deste corpo.
Hoje, somos nós.
Hei de te encarar,
suportar o escrutínio,
prestar-te contas
adiadas.

Espelhas, implacável,
marcas no rosto,
sulcos mais fundos e uma pele cansada
como não percebi essa leve papada?
Colo ainda belo,
Orgulho e alívio.
Seios pesados,
belos e amados.
Na cintura, os excessos
da mesa e do ócio.
O ventre arredondado,
corpo de matrona,
barroca demais,
nos dias de hoje.
O sexo,
mais sábio que o resto do corpo
encontra no tempo
prazer e autoridade.
As pernas,
foco eterno de repulsa e birra,
sustentam, olímpicas,a vitória e
a primazia do desgosto.

A estranha,
cujo corpo envelhece
fenece e morre,
me encara.
Não há contas a prestar.
Estamos quites.
Mesmo que tudo
pareça convergir ao chão,
e aquém,
quem sabe além,
mergulho no espelho
e encontro
a estranha que por dentro sou
também.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O CONTADOR DE HISTÓRIAS


Ainda que narre uma vida figurada, muito mais complexa e profunda que a banal verdade, sabe que toda vida é importante e toda verdade é única. Mesmo que habite um só coração.

Máscara




É uma pena que você não goste de si mesmo.
É triste ver um todo se convergir a nada.
É doloroso ser pouco.
É vergonhoso ser uma piada.

É difícil manter por tanto tempo esta cáscara.
Para o externo a mediocridade é certa.
Não pensas em tirar essa máscara?

Só tu não percebes que ela é pesada demais.
Tu és um fraco!
Um marujo insolente
Ainda preso no cais.

Antes que ela seja todo o seu existir.
Pare de se vitimizar através da ilusão de uma repentina mudança,
Pois esta só virá quando a vida te colocar novamente em cheque.
E souberes lidar com tuas destemperanças.

Apaixone-se por aquilo que tu és.
E se fores nada, deixe à preguiça, a arrogância, a bobagem e a mesquinharia de lado
Assuma culpa por onde estás agora.
Faça-se enxergar hoje!
Jogue seu personagem fora.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Espelho


O palhaço surge depois de tirar a maquiagem.....

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Apaixonar-se


Presa e esquecida pela pressão gravitacional de universos exteriores nossa alma coringa adormece no interior do tudo.
Carregamos algo que não conhecemos, presos dentro de algo que não escolhemos, para fazermos algo do qual não fomos informados.
Nesse processo lento, tedioso e repetitivo de viver, o quê importa é continuar tentando entender arquétipos insolúveis que nos atormentarão pelo resto de nossas vidas.
O Coringa em nós reconhece ser, para o mundo exterior, apenas o que pensam sobre ele. Dá-se conta que o único universo que conhecerá é o que enxergará através de seus olhos curiosos e por isso busca, em meio à luta da casca que se renova constantemente, encontrar aquele que irá reconhecê-lo.
Quando duas singularidades se encontram, o Coringa treme. Cansado de não ser ouvido, ele se apavora ao ver a si mesmo nos olhos alheios. Sente medo, pois vê que agora é hora de acordar.
Uma palavra, um gesto, uma canção. Tudo começa a fazer sentido. O interior começa a aflorar e a tomar conta do exterior. Já não podemos esconder os sentimentos antes imperceptíveis aos outros. A vida toma outro prisma e o presente se transforma em expectativa. As singularidades se encontram e sentem uma necessidade quase evolutiva de se reunirem depois de tantos bilhões de anos.
Nesse momento, com um pouco de sensibilidade é possível notar que a felicidade proveniente do amor é a consciência humana mais próxima da verdade de sermos todos poeira estelar a caminho da unificação plena.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vida e seus conceitos



- Papai de que é feito o mundo?
- De água, pedras, algas e peixes.
- Não pode ser! Um dia quando minhas nadadeiras forem grandes o suficiente eu vou nadar por todo este mundo e descobrir outros seres e lugares.
- Isso é impossível meu filho, esse mundo é todo nosso, já nadamos por tudo e vimos tudo o que havia para se ver.
"Crianças e suas fantasias...” pensou papai peixe...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Perdoar e Esquecer

O que é o perdão?
É esquecer? Como ser agente ativo de tal mudança? É ser capaz de ressignificar um acontecimento de forma tal que ele não mais nos cause sentimentos múltiplos como dor, mágoa, raiva, ressentimento, humilhação ou desilusão? A mudança é por conta de um insight, de uma transformação pessoal ou deriva do desgaste natural do tempo?
Quando alguém nos fala que perdoou, mas não esqueceu,podemos confiar que esta afirmação seja verdadeira?
Existiria uma afirmação verdadeira relacionada aos sentimentos dessa pessoa ou apenas a forma como ela reage a seus sentimentos perante as outras pessoas?
Seria o tão famoso perdão apenas o controle dessa dor? Afinal o sumiço da dor em si,não nos é passível de escolha, somente nossas atitudes frente aquilo que nos feriu.
É possível perdoar sem esquecer? Perdoamos realmente?
Uma relação foi inexoravelmente alterada em função de uma atitude, de um comportamento de uma pessoa que causou uma ferida psíquica no outro elemento da relação.
Este outro consegue, através do chamado perdão, não desfazer o vínculo que o unia ao agente da dor. Será que ele consegue manter o vínculo existente ou o que existia jamais existirá de novo? Será que se praticarmos nos sentir bem em relação aquela pessoa isso passa a ser verdade? Como se acostumássemos nossas cadeias neurais a ter uma resposta diferente? Sendo assim estaríamos no controle certo?
Ainda errado. Pois haveria assim outra força que nos faria querer agir assim. Seria isso um processo evolucionário?
Perdão então é ser capaz de salvaguardar a memória do que foi bom e sustentar estes restos durante a construção de uma nova relação? O perdão é uma espécie de reset ou botão de atualizar como o existente nos PCs?
Perdoar, mas não esquecer o quê?
Não esquecer a injúria ou não esquecer o que de bom existiu antes da dor?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mariella



Ninguém sabia como Mariella se sentia. Ela há muito já havia parado de tentar fazer com que o mundo a enxergasse. Ela não era feia, apesar de as poucas vezes em que foi a mais bela de alguma ambiente, essa situação não importasse.
Ela podia não se sentir a mais bonita, mas com certeza sabia que era a mais inteligente. Era sábia a ponto de visualizar sua insignificância e a mediocridade do egocentrismo alheio. Por diversas vezes se pegava pensando que se tivesse tanto conhecimento sobre determinado assunto quanto o fulano ela o usaria de melhor forma.
Mariella era deslumbrada, e sabia que era diferente, apesar de ainda ter esperança de não ser única. Queria encontrar uma companhia, que fosse como parte de seu próprio espírito. Que tivesse seguido caminhos que ela um dia adoraria percorrer. Que suas lembranças fossem espelhos do seu futuro alternativo mais promissor.
Alguém que a desse a certeza e a verdade que o mundo mascara.
Alguém para quem ela pudesse sempre correr,
Alguém que a protegeria como a si mesmo.
Alguém que ouviria suas dúvidas e sempre tivesse um comentário, seja ele inteligente ou engraçado a fazer. Que vivesse em busca de algo. Sempre. Profissionalmente, pessoalmente e de maneiras que ela viria a aprender.
Alguém com quem dividiria suas emoções e seu mundo. Alguém que a veria de verdade e que tivesse uma pitada de medo de perdê-la. Alguém que fosse suficiente a ponto de fazê-la suspirar sem preocupá-la. Alguém que lhe passasse segurança e estabilidade.
Mariella já teve alguns alguéns, no momento o alguém ao seu lado possui alguma das características, as melhores que ele pode ter, fundamentais hoje aos olhos de Mariella, mas não suficientes para uma garota que aprendeu a conviver com a insatisfação e a lidar com seu instinto natural de decepcionar aqueles que dão o melhor de si por ela.
Mariella busca mais, ou não seria ela mesma.
Seu corpo levantou no mesmo horário que ontem, para fazer as mesmas coisas de sempre.
Sua mente está em repouso, aninhada em sua cama, descansando até que valha a pena acordar, pois o mundo...bem, este parece preferir seu piloto automático.
Mariella sabe que merece mais e que com mais poderia ser mais.
Seus olhos perdidos, ao longe, se voltam ao sinal que agora abre. Olhos atentos, mas ainda cansados de ver tanta falta de opção, em sua mente apenas uma frase, repetindo na dimensão de um tempo qualquer.....
...Alguém que ela admirasse...
...Alguém que ela admirasse...
...Alguém que ela admirasse...
...Alguém que ela admirasse...

terça-feira, 26 de maio de 2009

Continuo a procurar-me...



... e por alguma razão sinto que não estou nos pés.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Antônio

Antônio está inquieto.
- Já é difícil manter-me aqui - pensa ele enquanto abre a lata do refrigerante no estacionamento da gráfica em que trabalha. Entre elfos de açúcar e castelos de areia, ele só quer voltar. Duas encadernações, cinco horas e uma vontade imensurável de vê-la. O tempo se espaça e o sentido de tudo se vai.
Haveria verdade maior do que o eco estridente de seus sentimentos?
O Rei de Copas aguarda com anseio por sua parceira, mas teme a chegada do Às. O que começou e causou tanta euforia e excitação, também poderia encerrar tudo, fazendo esta bela combinação de imagens virar apenas uma pilha a ser contada e logo esquecida no fundo da caixa.
É preciso jogar com cautela pra não colocar tudo a perder. Ainda assim, o tempo não passa. O Coringa teme, pois sabe que poderia viver eternamente nessa longa espera intrusa para que o jogo não acabe jamais. Entre chás quentes, abraços,final de semana na serra, peixes, um bolo de cenoura, documentários a lá Discovery Channel e frases prontas de livros, alguém acordou dentro dele e não parece querer se calar. O coringa grita tão alto que é quase impossível decodificar o mundo exterior. Entre cópias longas e tediosas ele se esforça para atender as tarefas de sempre. Não se sente apenas mais uma na multidão. Agora, Antônio existe porque ele pensa nela e sabe que ela pensa nele. Pelo resto de sua vida, sua sacada sempre terá duas cadeiras e a brisa da primavera sempre lembrará o perfume dela. Não havendo mais o cômodo silêncio, o Coringa se desconcentra. Qual o som dos seus pensamentos?
Mais do que construir histórias, construirão lembranças. Nem sempre é tão rápido e profundo enxergar, nem sempre é tão fácil escrever e tão simples falar.
A ampulheta foi virada e de grão em grão ele precisa mais dela. E quando não restar mais nada, que leve com ele as idéias dela e a deixe o “eu também” que ainda é tão difícil responder.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A grande quantidade de quedas...



... prova a perseverança daquele que treina e garante a perspicácia e eficiência do jogador.

domingo, 17 de maio de 2009

Lidando com problemas



- Para que você está cavando este buraco tão grande Leopoldo?
- Meu peixe morreu.
- Ainda sim o buraco é muito grande.
- Foi meu gato que o comeu.

sábado, 16 de maio de 2009

Cabeça



Certo estava Shakespeare... o universo se encontra dentro de uma casca de noz.

Uma breve história sobre Fisicas em uma estação.

Mariana já estava cansada de tentar entender o mundo, afinal o mundo não a entendia. Em uma daquelas manhãs em que a última coisa que se quer é encontrar o antigo colega de escola. Já na escada rolante da estação ela enxerga Plíneo. Plíneo era ruivo com espinhas lutando por seu lugar ao sol e vestia uma camisa regata aonde se lia: Educação Física. Para Mariana, professores de Educação física estão para a classe de mestres como seguranças de shopping estão para veteranos de guerra. Já era impossível fingir que não o havia visto. Ele fez questão de levantar o braço, acenando e deixando seus pêlos ruivos do sovaco à mostra o que fez Mariana lembrar por breves segundos das fotos de MRI do cérebro humano da edição da Scientific American daquele mês. Mas isso não vem ao caso.
Depois de um breve "quanto tempo" e uma relativamente rápida descrição do ambiente serotonina e noradrenalina aonde ele vinha trabalhando, de como o exercício físico era importante para o corpo e de como o cigarro recém aceso de Mariana a estava fazendo mal, chegou a hora dela de colocar a cronologia de sua vida em ordem para Plíneo.
- Sou física.
- Também? Nossa que coincidência e onde você malha?
- Não você não tá entendendo. Sou física... Tipo, física, cientista.
- Ahhh olha bem pra minha cara, fala sério!
- Estou falando. (olhar para cara dele é que era difícil, já que cara remetia certa familiaridade com a lua Europa o que a desconsertava os pensamentos)
- Você é maluca!
- Maluca? -E nesse ponto a ira reprimida por anos de Mariana sobre aquela afirmação repetida entrou em erupção.- Bom Plíneo, pra começo de conversa, meu pai e minha mãe eram jovens e irresponsáveis, me colocaram aqui sem saber porquê, sem manual, sem razão. Fato comprovado no seu divórcio prematuro. Teve gente nesse mundo, acredite você ou não, que em vez de ficar correndo por aí, decidiu que poderia haver um manual.
Uma espécie de livro que explicasse como a vida funciona e o que podemos fazer com as coisas na nossa volta.
Eles pesquisaram muito e em mais ou menos setecentos anos, chegaram a conclusão que o mundo é realmente complexo, belo e fala através de uma linguagem, a chamada matemática, que provavelmente você não conheça e por isso abomine que é uma espécie de código matrix sobre o livro da vida.
Passamos a maior parte da nossa história ralando e servindo a algum filho da puta que lucra com o nosso tempo, simplesmente para que tenhamos um pouco mais de conforto e para que estejamos firmes e fortes para amanhã entregar mais dinheiro na mão do mesmo filho da puta. Qual o propósito disso? Você já se perguntou?
- Claro que já.... ahh.. Mas não tem propósito não.. Relaxa... Perguntei por perguntar.
- Eu não pergunto por perguntar. Pergunto por que quero saber. Distraia-se, pegue esse trem e vá para onde tiveres que ir, mas lembre-se que teve alguém por trás disso. Alguém que teve que entender como colocar esse trem pra funcionar. Alguém teve que compreender a divisão de força através do uso de roldanas para que hoje você pudesse ajudar esses mesmos filhos da puta a levantar peso. E se tentar entender uma forma de traduzir o livro da vida não é nem um pouco interessante pra você. O louco aqui não sou eu.
Plíneo e Mariana subiram no trem e sentaram em bancos separados.
- Nunca fui com a cara desta Mariana, menina besta!- pensou Plíneo. Ligou seu mp3 e como de costume seguiu escutando Silvetty Montilla enquanto repassava suas aulas do dia.
Mariana sentada olhou para sua barriga e visualizou a ilustração do efeito Doppler em suas dobras. Percebeu que não estava cansada de entender o mundo, mas de entender as pessoas e achou que além de começar a se exercitar também estava na hora de parar de fumar.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mais uma conversa qualquer...



-... mas tu não me arranjaste mais um namorado com fobia social, arranjaste? - Perguntou o pai sentado em sua poltrona de estimação sem tirar os olhos de seu jornal com data de amanhã.
Um interminável curto silêncio se fez.
- Não! E não tens com o que se preocupar. – Disse a filha dando-lhe um beijo na testa, concluindo o máximo de interação pessoal possível com aquele que um dia lhe era fonte de todas as respostas e que acabara se tornando a razão da maioria de seus segredos e silêncios. Não que ela não quisesse contar, mas viviam em dimensões diferentes agora.
- Fobia sim! Ao teatro social! Pois quando as pessoas se encontram, seja em uma festa, um evento profissional ou de férias em uma ilha do pacífico é costumeiro que elas não queiram ser apenas seu nome. São Sr. Fulano, profissão e estado civil.
Desde o início do primeiro ato os atores procuram em segredo descobrir conhecidos, interesses e até planos em comum para dar seqüência à peça. Um cônjuge ciumento demais, uma vida muito atarefada, uma cidade na qual também se visitou e se nada funcionar ainda resta o assunto dos 'sem assunto' como o tempo, a cotação do dólar ou aquele assassinato terrível do momento.
Um ingrediente quase obrigatório é o desejo incessante de causar a melhor impressão possível sobre seu nível econômico, conhecimentos e aptidões especiais. Não se trata apenas de apresentar as próprias qualidades mais favoráveis à conversa, mas também, de fazê-lo de maneira espontânea, quase que improvisada, como se estivesse sendo dita pela primeira vez.
Veja como sou bom e hábil! Não sou um sujeito qualquer.
Sim. Concordo plenamente.... Até mesmo porque hoje em dia, é necessário para esse mercado termos conhecimento de pelo menos uma língua estrangeira.... Também fico pasmo com pessoas que na nossa idade não se interessam por livros, aliás você já leu o último do.....Comida italiana? Conheço um ótimo restaurante bem ali na......sim, é o mesmo nome da siderúrgica, foi de meu bisavô..... Isto é fato! Todos sabem que os ideais socialistas já não se enquadram na sociedade atual....Nazistas sim! Certo estava o Amorim em....Monet? Também me encanta. Pois saiba que tenho um Miró maravilhoso na sala... Falando em vinho...Amigo, mais um Sauvignon por favor... Sim porque Franc convenhamos...........
E assim o segundo ato se desenrola e se tudo ocorrer como deveria e os monólogos forem parecidos o ato final encerra a peça com beijos ou tapinhas amigáveis nas costas e um 'devemos marcar de nos encontrarmos com mais freqüência'.
Fobia sim! Não as pessoas! Somente ao social. Porém como disse, não há com o que se preocupar, meu namorado, assim como eu, sabe que às vezes é necessário retornar as origens ancestrais e pular como todos de galho em galho para que todos vocês possam ficar tranqüilos e tentar aproveitar os anos que lhe restam. - Foi o que ela queria ter dito. Mas não disse. Sabia que no fundo, aquele homem sentia a mesma coisa, mas não diria, pois talvez ele achasse que ela ainda não sabia o quão superficial as pessoas realmente eram.
Ela sorriu e se foi.

Então é assim...



Quando a gente se dá conta, já acabou e a gente sente.
A presença da falta é tão grande que os gritos do silêncio nos ensurdecem para o mundo.
Sem apoio caímos no fundo de nós mesmos. Como não percebemos que a queda seria certa? Como podemos ser os únicos a enxergarmos as injustiças pelas quais passamos? Como poderemos conviver com a ausência da vitória ou com a falta de escolha?
Quando a gente se dá conta o eterno já acabou novamente e percebemos que não nos conhecemos mais. Percebemos que estamos vivendo uma vida na qual nossas lembranças recentes são tão antigas que é como se já nem nos pertencessem mais.
Quando finalmente compreendemos já partimos, já deixamos e decidimos e com um pouco de paciência, logo nos damos conta que tudo passou. Que sempre haverá portas para sair e também para retornar e é assim que as coisas são, nunca voltaremos os mesmos e nunca poderemos retornar a vida que um dia deixamos pra trás.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O que fazer quando...



... Possuímos sensibilidade demais porém nos falta talento?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O homem é bom?

“ A moral e o consenso não são características naturais ao seres humanos, mas uma espada afiada com a tarefa de matar a origem animal do dragão”. Huxley

Não acredito mais no "amor inato ao bem" de Rousseau, ainda que por muito tempo o tenha buscado. A vida tem me mostrado que os homens não são nem bons nem maus por natureza, apenas egoístas. Mas quando digo egoísta não estou criticando. Vejo isso como um instinto de proteção e perpetuação da espécie.
Mas de onde vem a moral, caso ela não corresponda a natureza humana? Ou resumindo: por que o homem é capaz de ser moral?
Pode simplesmente parecer um erro idiota da mãe natureza que em outros casos vem sendo bem sucedida em sua maioria de "lei do mais forte". Porém ser bom significa, em uma noção de mundo mais abrangente, trabalhar em grupo. Sentimentos consomem as mentes evoluídas. O que você recebe hoje, você tende a revidar ou retribuir amanhã. E esse processo é extremamente natural, talvez você não tenha inimigos, mas com certeza terá em quem confiar: amigos, família, amante. Podem-se ter muitos ou apenas um, dependendo do seu clã, mas sempre se tem alguém.
O altruísmo recíproco é inerente ao ser humano que tenta conviver da melhor forma com seus sentimentos na luta pela existência. Não fazemos o bem por simples bondade. Fazemos o bem para que possamos nos satisfazer como pessoa. Sempre esperamos um retorno no futuro, por mais que tentamos nos convencer do contrário.
Como seres afins aos macacos, não apenas nossas fraquezas, perfídias e egoísmos são resquícios de nossa origem, mas também nossas nobres características. Somos tão bons quanto somos ruins mesmo que isso não se manifeste. Em um mundo de equilíbrio, o ruim precisa se manifestar para que o bom tenha algum significado. O Homem como consciência do mundo deve apenas aceitar sua condição dúbia animal e admirar a perfeição do todo. Estando ele bom ou não.

domingo, 10 de maio de 2009

O palhaço


... esqueceu o que é sorrir voluntariamente... é fim de expediente e ele está cansado.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O atraso atrasa a vida

“A pontualidade é a gentileza dos reis”.
Luís XVIII
Dentre as muitas características próprias que, apesar de detestar, não consigo deixar de ter, a falta de pontualidade é a que, no momento, mais tem me causado constrangimentos. Tenho sentido na pele aquilo que é um lugar-comum: a falta de comprometimento com o horário causa desconfiança e perda de credibilidade. Mais ainda: o atraso atrasa a vida!
No entanto, penso que nem todos os retardatários são da mesma estirpe. Há aqueles que se atrasam para mostrar poder, para mostrar a todos quanto a sua importância para o grupo — chefes de Estado, como Fidel Castro, são ótimos exemplos disso. Penso não me incluir nesse grupo, posto que nunca quero me atrasar, mas sim a um outro numeroso grupo: o formado por aquelas pessoas que querem fazer tudo o que for possível em um mesmo dia, que insistem em brigar contra o sono porque “não fizeram nada de útil o dia todo”, mesmo que o dia tenha sido repleto de fatos e realizações, o que geralmente não ocorre. Assim, querem ler um extenso livro em uma madrugada, aprender uma linguagem de programação em uma noite, ouvir toda a discografia de um novo cantor de uma só vez, ou, simplesmente, aproveitar um pouco mais o fato de não ter nada pra fazer. O resultado dessa indignação, dessa busca incessante por coisas quaisquer? O futuro breve cobra a conta e nos rouba nosso tempo.
“A pontualidade é a virtude dos entediados”, dizia Evelyn Waugh, romancista inglês que, percebe-se, não tinha muito apreço pelo relógio. Por um lado, concordo com ele e vejo que, de fato, à maioria das pessoas que são cumpridoras de horário falta algo como “existência interior”, vivendo seus dias em certa em monotonia, vivendo para o exterior, como se não soubessem como utilizar seu tempo. Sempre precisando de uma atividade para guiá-lo. Porém, em contraponto, percebo que essas mesmas pessoas geralmente são mais bem vistas pela sociedade (merecidamente, é justo frisar) e levam uma vida com menos sobressaltos, para dizer o mínimo. Agora, é bom ter uma vida com poucos sobressaltos? Não sei, pois simplesmente não consigo me contentar com a idéia que alguém ou algo toma controla minhas decisões. Sempre quero fazer outra coisa, por menos que trabalhe por menos tempo que cumpra qualquer obrigação.
Deve ser latente, pelo exposto acima, que a questão não é que eu tenha aversão ao cumprimento de horário, mas sim a obrigação. Deve haver algum fator, quer seja psicológico ou cultural, que faz, obstinadamente, com que eu viva lutando contra os ponteiros do relógio. Com franqueza, posso assegurar que ser um retardatário angustia, faz com que se sinta sempre em dívida com os outros — colegas de trabalho, família, amigos, affaires, especialmente quando a pessoa esforça-se, mas, não obstante, é incapaz de honrar seus compromissos.
Por fim, juro que não sou um vagabundo. Mas é como se fosse. Preciso ler mais o post sobre responsabilidade...

Infelizes, não se deprimam!


Conheço, e imagino que todos devam conhecer, gente que se diz deprimida. Ninguém mais se considera infeliz, ou mesmo triste: todos aqueles que estão em dias ruins estão “em depressão”. Embora pareça uma diferença tola, isso está longe de ser uma questão meramente semântica.
A depressão está associada a problemas patológicos, necessita de tratamento, geralmente com uso de ansiolíticos e antidepressivos. A tristeza, por outro lado, é tão-somente um estado natural da vida de toda e qualquer pessoa — ou deveria ser assim, ao menos. A tristeza existe somente para que a felicidade encontre uma razão de existir. A morte existe para que possamos dar valor à vida. Bem como a mágoa, o ódio e tantos sentimentos negativos. Reconhecemos a beleza do bom, apenas porque mais cedo ou mais tarde o perderemos. Infelizes! Celebrem já sua dor!
A principal diferença reside no fato de que, para o infeliz que se julga em depressão, a felicidade é um direito irrevogável. Caso não esteja feliz, é devido a um distúrbio neurológico, jamais graças ao modo de viver e ver a vida. Almejam um hedonismo permanente, só que por vias sintéticas, em vez de buscarem o próprio desenvolvimento para sentirem-se satisfeitas. É preciso olhar bem fundo para si mesmo e antes de buscar subterfúgios médicos, procurar descobrir o que realmente se precisa.
A melancolia, sugerem os autores de tempos mais remotos, acompanha a humanidade desde que se há registros. É totalmente natural, como Cervantes diz: “as tristezas não foram feitas para os animais, mas para os homens”. É uma pena para mim, que essa “supremacia humana” seja levada tão a sério e faça com que nós, humanos, busquemos algo inexistente, motivado por razões místicas e patéticas de felicidade eterna. Somos acima de tudo animais e por tal razão somos escravos de nossa própria natureza. A sabedoria e supremacia humana não estão em tentar modificar as leis impostas por ela, mas de canalizarmos nossa inteligência para fazer o melhor, em nosso benefício, com as ferramentas que nos foram dadas. Mas parece, contudo, que à sociedade moderna não se agrada em continuar sendo humana. Está mais preocupada em focar sua consciência em meros impulsos infantis do que a admirar a necessidade dos extremos. É preciso querer, é preciso perder, é preciso chorar, é preciso enxergar tudo isso e aceitar que todas essas etapas são necessárias para que possamos experimentar e sentir este mundo ao máximo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sobre Responsabilidades


Geralmente as crianças atribuem a seus pais as responsabilidades por todas as coisas. Quando tropeçam e caem vão correndo mostrar o ferimento a eles. Quando cansam de um determinado brinquedo entregam-no para os pais e vão fazer o que bem entendem. Se estiverem com fome, apenas pedem por comida e num piscar de olhos ela aparece quentinha em pequenas porções em sua boca. Porém não só suas necessidades e problemas estão sobre responsabilidade de seus pais, suas ações também estão sobre o controle dos mesmos, uma vez que até o final da adolescência não temos total noção de certo e errado. Mas e depois? Essa noção simplesmente surge? Quando nos damos conta, já somos adultos, pseudo independentes. É como se sem ao menos notar nos tornemos mestres de nossa própria história. Percebemos que fomos jogados aqui sem manual, com uma pilha de tarefas a cumprir nas costas sem ninguém para transferir a culpa pelas conseqüências de nossos atos.
Muitas vezes, estacionamos nossas vidas num período quase que infantil em que é mais cômodo transferir as responsabilidades. É menos penoso ter alguém para culpar!
Passamos pela vida ignorando soluções e caminhos como se não fôssemos parte criadora do mundo.
A semeadura é opcional, temos o livre-arbítrio de escolher as sementes, preparar o solo e fazer o cultivo da forma que bem desejarmos. Entretanto, a colheita é obrigatória. Lembre-se: a colheita é sua, logo, a responsabilidade é sua também!
Nem sempre as decisões são simples, entretanto, elas são sempre nossas e de mais ninguém. Nós desfrutaremos dos resultados de cada escolha que fizermos e essa responsabilidade é intransferível.
É interessante observar como ser humano tende a entregar-se ao sofrimento para mascarar sua covardia. Sofrendo por tudo e por todos, como agente passivo da própria vida. Quanto tempo jogado fora nessa busca sem retorno. A reflexão é essencial na trajetória de busca de cada um, envolver-se com as formas de apresentação da vida equivale a um grau mínimo de importância de si mesmo. Só fazem com a gente aquilo que permitimos, e no momento em que relevamos uma determinada situação estamos condenados a assisti-la repetidas vezes.
Exercer a liberdade de escolha envolve um processo íntimo de amor na relação que você tem consigo aonde o medo inicial transforma-se na gratificação da conquista e no suspiro aliviante de se ter algo realizado. Lutemos então, diariamente para não perder esse poder gratuito por responsabilidades que deixamos de assumir.

domingo, 3 de maio de 2009

Lucidez expressa de uma maneira singular



Quando Rebeca achava que a única solução para acabar com suas neuroses era dando um final a sua vida, olhou para baixo e pensou na sujeira que iria fazer e desistiu.

sábado, 2 de maio de 2009

Sobre Intelectuais


Impressiono-me com pessoas altamente intelectuais. O programa Roda Viva realmente me remete as entranhas de minha insignificância. Dependendo do tema fica até difícil entender e mais impressionante que as respostas do entrevistado, são as perguntas feitas a ele. Como admiro a capacidade de elaborar uma boa pergunta. Somente sabendo expressar nossas dúvidas com exatidão e profundidade é que chegaremos ao verdadeiro conhecimento. Conhecimento este que foge ao público comum. Conhecimento derivado de muitas perguntas e respostas, noites sem dormir, leituras e reflexões. Que dádiva é essa que faz com que apenas um pequeno grupo consiga compreender uma pergunta e admirar sua resposta? Qual treino mental é necessário para que nosso cérebro traduza uma seqüência por vezes tão complexas de palavras e molde nossos pensamentos?
Educar o cérebro a visualizar coisas intangíveis além de ampliar nossa imaginação e criatividade pode também ser uma forma de desviar nossa atenção de problemas mesquinhos do cotidiano. Sentir que pensamos a frente e a fundo gera uma auto admiração. Uma sensação de controle e noções de mundo quase sobre humanas. A devoção ao saber pode por outro lado levar ao isolamento e ao cansaço do trivial. O que fazer quando as pessoas ao redor não falam sua língua? Quando elas estão presas a sentimentos banais e tolos simplesmente por deixarem suas mentes serem devoradas pela rotina, vivendo externamente nem um pouco focadas com seu crescimento intelectual?
Haveria uma linha limite? Um momento em que a bênçãos da ignorância se vai e a maldição da corrida do saber começa? Um momento pelo qual a partir dele todos os assuntos que não sejam desafiadores, instigantes e passíveis de debate tornam-se desinteressantes? Aonde explicar já não faz sentido, pois leva tempo e não será assimilado?
Realmente me impressiono com pessoas intelectuais, pois eles mudaram o foco. Deixaram de ser vítimas. São protagonistas, pronto para dar um show, ou ao menos sentir a quase maldade cômica de iniciar um espetáculo.

Eloísio, é domingo!

Hoje és dono do teu dia e podes fazer o que quiseres.
Por isso escolhes fazer nada.
Como é boa a sensação de poder não fazer coisa alguma.
Dias seguidos de escravidão e serventia servem somente para que possas saborear este momento. Hoje podes ser tu mesmo. Ainda que isso te entristeça. Tua vida é uma farsa e no fundo tu sabes. Sabe de todas as coisas que preferiu não pensar até o dia de hoje. Todas as coisas que fingiu acreditar, que deixou de fazer e falar. Sabia que elas viriam te fazer companhia. Os pensamentos alheios te soam banais, os teus inquietantes, por isso seguiste acenando tua cabeça e sorrindo em concordância. Colocam-te sempre em prova e duelam com tua sanidade mostrando que mais uma vez tu fizeste menos do que deveria por ti. Mostram mais uma vez o quanto precisas ser forte e agir... o quanto precisas te mexer...sendo que hoje eu só querias descansar.
Até que ponto tua felicidade é realmente tua se necessitas de outrem nela? Até que ponto deves tentar? Até que ponto vale à pena acreditar que podes vir a acreditar-te. Já é tarde, e mais uma vez o teu descanso te cansa. Mais uma vez nada mudou. Mais uma vez falhaste naquilo que prometeste a ti mesmo não fazer de novo. Seja magoar ou deixar magoar-se.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sobre discutir a relação


Em um relacionamento é muito natural que com o passar do tempo acabemos por nos chatear com alguma ação da outra pessoa. Seja ela com ou sem intenção. Entendo por discutir a relação um momento futuro ao fato aonde ambos tentam lembrar a seqüência ocorrida. Dependendo do desgaste da relação é bem possível que essa discussão seja apenas um baú cheio de miudezas antigas e sem maior relevância ao outro. Relembrar momentos assim pode tornar tudo complicado.
As mulheres em geral atuam em pólos extremos. Ou são completamente malucas a ponto de causarem escândalos em qualquer lugar ou (acredito que em sua maioria) tentam controlar sua fúria para o exterior esperando o momento mais propício, que geralmente se dá horas ou até dias depois. Sem perceber, mudamos o foco da conversa para a capacidade de armazenar memórias e de traduzi-las em palavras. Aonde um pequeno deslize no que se falou, uma pequena confusão na seqüência de fatos, pode condenar o parceiro como culpado.
Por quê então temos a necessidade de externar nossas mágoas? Por quê motivados pelo medo de ser abandonado ou por uma dificuldade de dividir a atenção alheia somos dominados por essa vontade absurda de fazer o outro se sentir culpado? Mesmo quando conscientemente saibamos que discutir a relação na maioria das vezes só tende a piorar as coisas?
Os homens geralmente não gostam de sentir que não estão cumprindo seu papel de provedor e protetor da mulher. O medo e a raiva dela a impede de ver tamanha é a vergonha alheia de assumir seus erros ou até mesmo o quão difícil é para o parceiro sobrepujar seu ego e analisar suas ações.
Talvez a conexão entre um casal em momentos como este seja dada pela forma como ambos encaram medo e vergonha e pela sua capacidade de lembrar momentos passados.
Talvez seja comum a raça feminina a necessidade de presenciar uma mudança através de uma onda de emoção.
Os homens por sua vez, são moldados pela sociedade para se manterem estáveis no que diz respeito a emoções e esse tipo de situação os coloca contra a parede, como animais acuados em territórios desconhecidos.
Como resolver?
Existirá uma pessoa com quem possamos conversar como se falássemos com nós mesmos? Seria então, a duração de um relacionamento dada através da capacidade da mulher de conter suas emoções frente ao que lhe causa dor? Que liberdade temos quando nossa sanidade se baseia em controlar sentimentos naturais?
Viver é uma prática, diária. Erramos, perdemos o controle, nos arrependemos e tentamos de novo. O importante é mudar o foco. Não discutir o que está errado, apenas apontar o que é bom. E se por ventura as ações de um remeterem a mágoas e dores constantes, deveríamos parar com a idéia de mudar o outro e ver que a mudança deve vir de nós seja ela com o termino da relação ou com uma mudança de atitudes.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Príncipe encantado


Antes um burro que me carregue do que um cavalo que me derrube!

Síndrome: Conformismo forçado

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Descreva-se por favor...


Sou alguém que quando pequena segurou em balões de hélio e esqueceu de amarrar a cordinha e agora já estou muito longe pra voltar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sobre destino


Às vezes nos parece difícil entender como uma pessoa crê nesta ou naquela religião, têm determinada opinião ou conduta.
Porém, acredito que seja como escutar uma música ou comer algo novo. Você experimenta e simplesmente aquilo te satisfaz. É inútil julgar as pessoas como erradas através de seus gostos, pois estes nos fogem ao controle.
Somos guiados por nossos "quereres" ao longo da vida, como uma formiga que ao se deparar com a pata de um gato brincalhão decide desviar. Pensa estar no controle mas novamente se depara com a pata. Decide tomar um outro caminho, até que o gato brincalhão resolve ir embora e parar de desviar o caminho da formiga. Nossos "quereres" moldam nosso destino. Nos arrastam pelo fluxo da vida, precionando-nos a escolhermos caminhos e gerando afinidades com pessoas que momentaneamente ou por uma vida inteira seguem na mesma direção.
A formiga pode desviar para a esquerda ou direita, mas em uma noção maior de mundo, ela apenas seguirá o caminho que o gato escolher sem ao menos notar.
Quais formigas nesse caso seriam as mais sábias? As que aceitam ter seu caminho traçado e o seguem fielmente por medo de levarem uma patada, ou as que acreditam estar no controle?
Engraçado!
Quanto mais solitários são meus pensamentos, mais eles se aproximam das minhas antigas crenças.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre a sociedade

Para perpetuar a espécie, os homens e as mulheres foram criando uma relação de convivência permanente e constante. Surgiu com o desenvolvimento da espécie humana, a sociedade humana.
A sociedade humana é histórica, muda conforme o padrão de desenvolvimento da produção, dos valores e normas sociais e é como um ser que toma consciência de si a medida que o tempo passa. Precisando errar para procurar caminhos de melhorar. Assim como os indivíduos a sociedade está sempre em busca de meios para reparar o que está errado no presente.Essas mudanças mostram a vida novos caminhos e nos coloca frente a novos problemas em um loop contínuo.
Na infância da sociedade a vida em comunidade deveria ser bem simples, visto que as necessidades de uma pequena comunidade eram básicas e pouco distintas de outras comunidades isoladas. Com o passar do tempo e o aumento no número de humanos não é difícil imaginar que comunidades unidas uniram necessidades, funções, formas de lazer e cultura ampliando assim as noções de vida em sociedade. Em um período extremamente territorial não é de se espantar que os homens tenham dominado o poder por tanto tempo. A força física era muito importante para a infância da raça. Só que com o passar do tempo, essas noções de sociedade levaram ao sentimento de ser cidadão. De pertencer a máquina, e não somente estar preso a ela. Começamos a fazer parte da estrutura, e buscamos nos aprimorar cada vez mais, para exercer uma função cada vez mais importante dentro dela.
Hoje, portanto, o poder é definido através da importância de uma pessoa para a máquina social. Seja ela sendo uma peça fundamental ou o combustível que move a máquina do mundo chamado dinheiro.
As mulheres se vangloriam por terem adquirido seu espaço. Mas isso foi um processo quase que natural da espécie, um tipo de evolução. A evolução do conhecimento sobrepujando a força. Conhecimento esse que será impulsionado por crises geológicas, políticas e biológicas que mais uma vez, fazem sua parte no loop infinito da vida de colocar as espécies em prova de superação para que o crescimento nunca pare.

domingo, 12 de abril de 2009

Eu...



Fui sabendo de mim por aquilo que perdia
revendo os pedaçõs entendo que
julguei saber e não sabia

Até agora eu não me conhecia,
dizia que era eu e eu não era
quem meus versos descrevera
boba tola e sem valentia.

Hoje entendo minha força
e também enxergo minha graça
Sou o grão firme da rocha
Sou o livre vento que a desgasta

Preciso ser um outro, para ser eu mesma
Sou pólen sem inseto
cada vez mais conciente de minha condição
cheia de todos os cansaços
companheira da insatisfação

Sou bobo da corte
cuja sensibilidade nem todos conseguem ver
atuando constantemente, inteligente,
sem medo de merecer
....

domingo, 5 de abril de 2009

sábado, 4 de abril de 2009

Ai que saudade de você,


Que medo desconcertante de talvez não te conhecer. Teu carinho e tua proteção, teus livros e animais de estimação. Tua realidade me faz bem e deixa o Coringa a pensar que aí deveras é um bom lugar pra descansar.
Ai que saudades do meu novo bem querido, que tanto diz me amar. Sentimento esse que desconheço em respeito a um coração cansado de tentar.
Quero ser uma pessoa boa e colorir meu mundo pra te receber. Lutei pra sair do mais frio inverno, vivi em um outono que realizei ser eterno e agora descubroa primavera depois de um simples sol a raiar.
Minha estrela, minha amiga, que mesmo depois de tormentas não se cansa de acordar. Meu sol corajoso me guia e me protejes de chorar.
Tertúlias estéreis de fim nunca tedioso. Me abraça, me beija hoje a noite esse meu corpo preguiçoso.
As estações estão invertidas e a caixa treme com frio. Eu acordei e vivo o mais quente verão porque tu preenches meu vazio.
Quero ser apenas suficiente, cansei de viver tão descrente, pois o Coringa sabe que isso pode funcionar.... calma, pois logo é hora, ahhhhh como é bom se apaixonar.
Me busca e fica comigo hoje. Meu universo criativo se expande quando estou com você.
O discurso se amplia, o conteúdo se modifica e o Coringa curioso já sabe que é impossível não te querer.

Lá e de volta outra vez....


Há dias em que torço pra que o telefone toque e cancele tudo!
Nesses dias meu edredom é tão confortável como um peito quente. Os ônibus parecem rodar sem motores assim como eu..Tem dias que o dia começa lá pelas 11 e poderiam ser 12...13....nunca....
Uma vez parte da matrix prefiro que ela não acabe só pra não sentir de novo a agonia preguiçosa de recomeçar.....

Tem dias que até minha coragem é covarde....

sábado, 21 de março de 2009

Poesia natural


Uma das idéias do acelerador de partículas é comprovar as diferentes dimensões analisadas na teoria das cordas.
Quando vemos um fio de cabelo, ele nos parece ter apenas uma dimensão: uma linha com duas direções, cima e baixo e podemos logicamente constatar que apesar de fino ele também possua uma profundidade. Só que se analisado microscopicamente ele possui diversas camadas, não percebidas por nós.
Toda a matéria que observamos, em profundidade, se dissolve em sua aparência exterior e se revela em sua substância como sendo apenas energia. O conceito sensório de solidez e de concreto desaparece diante do conceito de elétrons que giram, velocíssimos, em espaços ilimitados(proporcionalmente a seu volume), ao redor de um núcleo incomensuravelmente menor. Assim a matéria, tal como a concebemos habitualmente, desvanece em nossas mãos, são apenas sensações produzidas por algo que é apenas energia e determina um movimento que se estabiliza por sua altíssima velocidade, aonde os núcleos não se tocam apenas os elétrons.
Partindo do princípio que matéria é concentração de energia (quarks que compõe prótons) e que energia gera calor, aquecendo um corpo estamos transmitindo energia à matéria, isto é somamos energia, afinal a grosso modo, a ordem dos fatores não altera o produto. O calor significa aumento de velocidade nos sistemas atômicos moleculares. Quando dizemos que um corpo está mais quente, isto significa que seu movimento íntimo sofre um rápido aumento de velocidade (E=mc2), pois estamos movimentando seus elétrons.

Este não é um pensamento simples e talvez possa estar longe de retratar a verdade. Foram necessárias muitas vidas e mais de 150 anos para que eu modestamente chegasse a esta conclusão, e ainda que não possa traduzir toda sua beleza codificada e complexidade, a natureza é absurdamente admirável. Isso me fez refletir sobre como ando utilizando minha capacidade de pensar.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Julieta,

Seja feliz comigo, assim como sou com você. Não se assuste se eu estou completamente apaixonada pelo que tu és. Apenas sorria... e sorria se quiser.
Ainda tenho dúvidas do que é amar alguém. Pois se aqueles que pensei amar, amei com plenitude. Então não te amo!
O que sinto agora é extremamente novo , tranquilo e completamente bom.
Te convido a desfrutar o hoje comigo, sem preocupações, problemas ou amanhã e se algum dia tiveres que partir de meu univero particular, me deixe boas lembranças e não previsões de um futuro incerto...e agora se puderes...apenas sorria.....


Beijos,
Romeu

Buteco


Café, cigarros, fundo de boteco. Escondida do barulho, em casa.

terça-feira, 10 de março de 2009

Romeu,

Como é engraçado esse sentimento que ao contrário de todo o resto as palavras não conseguem expressar. Dentro de uma vida só, recomeço e vivo um novo eu ao descobrir um novo você.
E nessa nova vida quero que você viva para sempre. Já não pertenço a um mundo sem tua presença. É como se te conhecesse por toda a eternidade. Reencontrar-te e refazer todas as coisas que esqueci serem necessárias.
Adoro a complexidade do teu ser e nunca o ócio me fez tão bem. Colores cada cena e dás um novo ritmo a cada pensamento meu. Por favor, não desista da gente. Não desista de você.
Tens o dom não só de amar, mas tuas mãos prósperas e carinhos já inexoráveis movimentam meu talento, fazendo com que o Escultor produza a melhor imagem de mim mesma para te agradar. Quero ser apenas o suficiente para te fazer sorrir sem te preocupar.
E se o amor se reescreve com frases ultrapassadas e piegas, nesse momento te garanto que posso não ser o melhor que desejas, mas me esforçarei com toda a força do meu ser para me aproximar disso.
Quero te fazer feliz sem te pedir nada em troca. Pois nada se equivale a razão que deste para o daqui a pouco, que ultimamente demora tanto a chegar.
Se não der certo, não me preocupo mais... o Coringa está matando sua sede com martines e se bronzeando nas ilhas Maldivas e há muito já desistiu de controlar meu coração. Percebeu que talvez precisasse de um descanso e que por agora deveria deixar a alma solta para respirar.
Pega na minha mão e me leva pra onde quiseres. Não quero nada de ti que já não tenha...mas por favor sorria....

Abraços apertados,
Julieta

domingo, 8 de março de 2009


Se o mundo foi criado ou criou a si mesmo eu ainda não sei.... o mais interessante foi o espanto de Adão......

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sobre o Erro...


A vida é uma grande sequencia de erros.....

Tem certeza que seus erros estão te levando ao lugar certo?

terça-feira, 3 de março de 2009

Ainda procurando....

Triste aqueles que são coadjuvantes da própria história, falizes aqueles que atuam brilhantemente como protagonistas de sua vida........ se somos esculturas do mundo das idéias..somos apenas fantasmas que correm e habitam as mentes alheias.... poderia alguém me conhecer de verdade? Sem julgamentos nem conclusões precipitadas? Apenas o Coringa...meu verdadeiro eu, sabe como irá regir a novas situações... eu ainda tento me conhecer...ainda procurando desvendar o quê realmente quero, para ir ao melhor cenário, criar o melhor enredo e encontrar um final feliz....

domingo, 1 de março de 2009

Livre...


Seguir uma rotina é me colocar de castigo.
Educar o que cresceu solto quase que por instinto... ainda sim não me sinto apenas mais um na matrix.... me sinto como uma evolução no sistema.....

Síndrome: Crise da sensibilidade exacerbada

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Tu me perguntas se há algo errado...

..."Os seus olhos devem ser só dos meus olhos"...

Medo de não agradar, de parecer tola, inferior.
Ciúme.
Tristeza.
Decepção.
Quando esses sentimentos começam a serem espelhados nas ações rotineiras do outro, acho que é aí que o amor troca os óculos da paixão pelas lentes da insegurança. Lentes quase imperceptíveis, fazendo com que até o Coringa duvide da realidade nata. Disperso entre a imagem retorcida pelas lentes, fica difícil saber quais obstáculos são reais.
É quase impossível ver com clareza, mas ele se concentra, afinal não é a primeira vez que percorre esse tipo de trajeto. Os caminhos são diferentes mas os obstáculos parecem serem os mesmos.
Coragem, concentre-se, cale-se.Não há mais como fugir
Possessão.
Raiva.
Ansiedade.
Não há mais como fugir do foco inimigo. O Coringa quer voltar, entrou em uma realidade interna e grita por socorro. Não há ninguém pra ajudar, somente lembranças, por isso seja forte. Vença esse instinto que acompanha sua casca. O Coringa e o animal dividem o mesmo espaço, porém desde que o amor chegou (será?) os ouvidos do Coringa estão muito sensíveis, ele se sente anestesiado, torpe e incapaz.
Um olhar é suficiente.
Nocaute.
Um buraco de minhoca para o inferno. Insegurança! Maldita insegurança que por muito tempo não “nos” visitava. Chega repentinamente, escravizando os olhos e sufocando o coração. O rosto tenso, os lábios como um armário abarrotado de caixas pesadas, seguradas pelo Coringa.
Ele está cansado. O encanto passou. Está apertado demais. Visitas inconvenientes em um momento tão complicado.
Meus primeiros ciúmes debutando na mediocridade do meu ser.
O que isso quer dizer? Onde errei? Se é que errei...
Deixa pra lá... Esse universo ficou pra traz. O coringa hoje sabe como vencer seu lado animal.
Liberdade.
Amor próprio.
Confiança.
Plenitude.
Calma.
Amor.
O Coringa enfim vence. Criador de um universo que se orquestra para realizar todos os meus desejos, ele aprendeu hoje mais uma lição.
Tu me perguntas se há algo errado. E com um sorriso cansado te digo : “nada não amor...”

Apenas mais um universo.....

Como pode a vida ser tão engraçada? Tentamos ser um coringa em um universo de infinitos micros e macros, aonde tamanho real não existe aonde o pequeno é também grande, e o único é também apenas mais um.
Um universo de projeções e verdades mutáveis que vagam e por vezes até correm em busca de algo que talvez nunca cheguemos a conhecer. Um mundo de certezas incertas, eternos finitos e desencontros temporais. O que hoje nos é tão vivo e tangível amanhã perderá seu valor. Que fácil seria se sentimentos tão nobres como amor e alegria partissem ao mesmo tempo de pessoas que um dia se gostaram, talvez sofrêssemos menos, mas poderíamos então saborear os momentos felizes da mesma forma?
Dúvidas que convergem para um fim inevitável. Afinal, quantas vidas seremos capazes de viver em nossa breve estada? Seria esse caminho uma estrada sempre íngreme? Haverá sempre um oásis após o deserto aonde possamos descansar? E quando o medo não passar e a dor não fizer mais rir o que nos restará? Irão algum dia nossas experiências se tornarem um fardo demais pra carregar?
Um universo estranho, sem dono, descrito agora por uma mão que procuro conhecer, que a tanto tempo procuro amar.
Um universo, apenas um entre tantos..... o meu universo... que agora é tão feliz e próspero depois de descobrir que tudo pode dar certo no fim. Um universo que encontrou na incerteza do mundo motivação para seguir adiante. Que aprendeu a escolher as melhores possibilidades e agora se tornou uma sinfonia clara e tranqüila aos ouvidos do coração.
Como é bom ver o baralho alinhado e o jogo ganho. Mesmo que ainda tenham muitas partidas pela frente, saboreio o gosto da vitória e agora faço dela o meu eterno. Decidi ser um dos escolhidos pela felicidade e se o grande Joker existe, que se manifeste através de mim e me deixe experimentar toda a sua glória.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

General da Matrix



Me sinto sempre à 30 minutos de fazer algo. desperdiço o agora pensando quanto tempo ainda tenho antes da próxima coisa que preciso fazer... Ele realmente domina minha vida...