segunda-feira, 22 de junho de 2009

Perdoar e Esquecer

O que é o perdão?
É esquecer? Como ser agente ativo de tal mudança? É ser capaz de ressignificar um acontecimento de forma tal que ele não mais nos cause sentimentos múltiplos como dor, mágoa, raiva, ressentimento, humilhação ou desilusão? A mudança é por conta de um insight, de uma transformação pessoal ou deriva do desgaste natural do tempo?
Quando alguém nos fala que perdoou, mas não esqueceu,podemos confiar que esta afirmação seja verdadeira?
Existiria uma afirmação verdadeira relacionada aos sentimentos dessa pessoa ou apenas a forma como ela reage a seus sentimentos perante as outras pessoas?
Seria o tão famoso perdão apenas o controle dessa dor? Afinal o sumiço da dor em si,não nos é passível de escolha, somente nossas atitudes frente aquilo que nos feriu.
É possível perdoar sem esquecer? Perdoamos realmente?
Uma relação foi inexoravelmente alterada em função de uma atitude, de um comportamento de uma pessoa que causou uma ferida psíquica no outro elemento da relação.
Este outro consegue, através do chamado perdão, não desfazer o vínculo que o unia ao agente da dor. Será que ele consegue manter o vínculo existente ou o que existia jamais existirá de novo? Será que se praticarmos nos sentir bem em relação aquela pessoa isso passa a ser verdade? Como se acostumássemos nossas cadeias neurais a ter uma resposta diferente? Sendo assim estaríamos no controle certo?
Ainda errado. Pois haveria assim outra força que nos faria querer agir assim. Seria isso um processo evolucionário?
Perdão então é ser capaz de salvaguardar a memória do que foi bom e sustentar estes restos durante a construção de uma nova relação? O perdão é uma espécie de reset ou botão de atualizar como o existente nos PCs?
Perdoar, mas não esquecer o quê?
Não esquecer a injúria ou não esquecer o que de bom existiu antes da dor?