terça-feira, 26 de maio de 2009

Continuo a procurar-me...



... e por alguma razão sinto que não estou nos pés.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Antônio

Antônio está inquieto.
- Já é difícil manter-me aqui - pensa ele enquanto abre a lata do refrigerante no estacionamento da gráfica em que trabalha. Entre elfos de açúcar e castelos de areia, ele só quer voltar. Duas encadernações, cinco horas e uma vontade imensurável de vê-la. O tempo se espaça e o sentido de tudo se vai.
Haveria verdade maior do que o eco estridente de seus sentimentos?
O Rei de Copas aguarda com anseio por sua parceira, mas teme a chegada do Às. O que começou e causou tanta euforia e excitação, também poderia encerrar tudo, fazendo esta bela combinação de imagens virar apenas uma pilha a ser contada e logo esquecida no fundo da caixa.
É preciso jogar com cautela pra não colocar tudo a perder. Ainda assim, o tempo não passa. O Coringa teme, pois sabe que poderia viver eternamente nessa longa espera intrusa para que o jogo não acabe jamais. Entre chás quentes, abraços,final de semana na serra, peixes, um bolo de cenoura, documentários a lá Discovery Channel e frases prontas de livros, alguém acordou dentro dele e não parece querer se calar. O coringa grita tão alto que é quase impossível decodificar o mundo exterior. Entre cópias longas e tediosas ele se esforça para atender as tarefas de sempre. Não se sente apenas mais uma na multidão. Agora, Antônio existe porque ele pensa nela e sabe que ela pensa nele. Pelo resto de sua vida, sua sacada sempre terá duas cadeiras e a brisa da primavera sempre lembrará o perfume dela. Não havendo mais o cômodo silêncio, o Coringa se desconcentra. Qual o som dos seus pensamentos?
Mais do que construir histórias, construirão lembranças. Nem sempre é tão rápido e profundo enxergar, nem sempre é tão fácil escrever e tão simples falar.
A ampulheta foi virada e de grão em grão ele precisa mais dela. E quando não restar mais nada, que leve com ele as idéias dela e a deixe o “eu também” que ainda é tão difícil responder.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A grande quantidade de quedas...



... prova a perseverança daquele que treina e garante a perspicácia e eficiência do jogador.

domingo, 17 de maio de 2009

Lidando com problemas



- Para que você está cavando este buraco tão grande Leopoldo?
- Meu peixe morreu.
- Ainda sim o buraco é muito grande.
- Foi meu gato que o comeu.

sábado, 16 de maio de 2009

Cabeça



Certo estava Shakespeare... o universo se encontra dentro de uma casca de noz.

Uma breve história sobre Fisicas em uma estação.

Mariana já estava cansada de tentar entender o mundo, afinal o mundo não a entendia. Em uma daquelas manhãs em que a última coisa que se quer é encontrar o antigo colega de escola. Já na escada rolante da estação ela enxerga Plíneo. Plíneo era ruivo com espinhas lutando por seu lugar ao sol e vestia uma camisa regata aonde se lia: Educação Física. Para Mariana, professores de Educação física estão para a classe de mestres como seguranças de shopping estão para veteranos de guerra. Já era impossível fingir que não o havia visto. Ele fez questão de levantar o braço, acenando e deixando seus pêlos ruivos do sovaco à mostra o que fez Mariana lembrar por breves segundos das fotos de MRI do cérebro humano da edição da Scientific American daquele mês. Mas isso não vem ao caso.
Depois de um breve "quanto tempo" e uma relativamente rápida descrição do ambiente serotonina e noradrenalina aonde ele vinha trabalhando, de como o exercício físico era importante para o corpo e de como o cigarro recém aceso de Mariana a estava fazendo mal, chegou a hora dela de colocar a cronologia de sua vida em ordem para Plíneo.
- Sou física.
- Também? Nossa que coincidência e onde você malha?
- Não você não tá entendendo. Sou física... Tipo, física, cientista.
- Ahhh olha bem pra minha cara, fala sério!
- Estou falando. (olhar para cara dele é que era difícil, já que cara remetia certa familiaridade com a lua Europa o que a desconsertava os pensamentos)
- Você é maluca!
- Maluca? -E nesse ponto a ira reprimida por anos de Mariana sobre aquela afirmação repetida entrou em erupção.- Bom Plíneo, pra começo de conversa, meu pai e minha mãe eram jovens e irresponsáveis, me colocaram aqui sem saber porquê, sem manual, sem razão. Fato comprovado no seu divórcio prematuro. Teve gente nesse mundo, acredite você ou não, que em vez de ficar correndo por aí, decidiu que poderia haver um manual.
Uma espécie de livro que explicasse como a vida funciona e o que podemos fazer com as coisas na nossa volta.
Eles pesquisaram muito e em mais ou menos setecentos anos, chegaram a conclusão que o mundo é realmente complexo, belo e fala através de uma linguagem, a chamada matemática, que provavelmente você não conheça e por isso abomine que é uma espécie de código matrix sobre o livro da vida.
Passamos a maior parte da nossa história ralando e servindo a algum filho da puta que lucra com o nosso tempo, simplesmente para que tenhamos um pouco mais de conforto e para que estejamos firmes e fortes para amanhã entregar mais dinheiro na mão do mesmo filho da puta. Qual o propósito disso? Você já se perguntou?
- Claro que já.... ahh.. Mas não tem propósito não.. Relaxa... Perguntei por perguntar.
- Eu não pergunto por perguntar. Pergunto por que quero saber. Distraia-se, pegue esse trem e vá para onde tiveres que ir, mas lembre-se que teve alguém por trás disso. Alguém que teve que entender como colocar esse trem pra funcionar. Alguém teve que compreender a divisão de força através do uso de roldanas para que hoje você pudesse ajudar esses mesmos filhos da puta a levantar peso. E se tentar entender uma forma de traduzir o livro da vida não é nem um pouco interessante pra você. O louco aqui não sou eu.
Plíneo e Mariana subiram no trem e sentaram em bancos separados.
- Nunca fui com a cara desta Mariana, menina besta!- pensou Plíneo. Ligou seu mp3 e como de costume seguiu escutando Silvetty Montilla enquanto repassava suas aulas do dia.
Mariana sentada olhou para sua barriga e visualizou a ilustração do efeito Doppler em suas dobras. Percebeu que não estava cansada de entender o mundo, mas de entender as pessoas e achou que além de começar a se exercitar também estava na hora de parar de fumar.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mais uma conversa qualquer...



-... mas tu não me arranjaste mais um namorado com fobia social, arranjaste? - Perguntou o pai sentado em sua poltrona de estimação sem tirar os olhos de seu jornal com data de amanhã.
Um interminável curto silêncio se fez.
- Não! E não tens com o que se preocupar. – Disse a filha dando-lhe um beijo na testa, concluindo o máximo de interação pessoal possível com aquele que um dia lhe era fonte de todas as respostas e que acabara se tornando a razão da maioria de seus segredos e silêncios. Não que ela não quisesse contar, mas viviam em dimensões diferentes agora.
- Fobia sim! Ao teatro social! Pois quando as pessoas se encontram, seja em uma festa, um evento profissional ou de férias em uma ilha do pacífico é costumeiro que elas não queiram ser apenas seu nome. São Sr. Fulano, profissão e estado civil.
Desde o início do primeiro ato os atores procuram em segredo descobrir conhecidos, interesses e até planos em comum para dar seqüência à peça. Um cônjuge ciumento demais, uma vida muito atarefada, uma cidade na qual também se visitou e se nada funcionar ainda resta o assunto dos 'sem assunto' como o tempo, a cotação do dólar ou aquele assassinato terrível do momento.
Um ingrediente quase obrigatório é o desejo incessante de causar a melhor impressão possível sobre seu nível econômico, conhecimentos e aptidões especiais. Não se trata apenas de apresentar as próprias qualidades mais favoráveis à conversa, mas também, de fazê-lo de maneira espontânea, quase que improvisada, como se estivesse sendo dita pela primeira vez.
Veja como sou bom e hábil! Não sou um sujeito qualquer.
Sim. Concordo plenamente.... Até mesmo porque hoje em dia, é necessário para esse mercado termos conhecimento de pelo menos uma língua estrangeira.... Também fico pasmo com pessoas que na nossa idade não se interessam por livros, aliás você já leu o último do.....Comida italiana? Conheço um ótimo restaurante bem ali na......sim, é o mesmo nome da siderúrgica, foi de meu bisavô..... Isto é fato! Todos sabem que os ideais socialistas já não se enquadram na sociedade atual....Nazistas sim! Certo estava o Amorim em....Monet? Também me encanta. Pois saiba que tenho um Miró maravilhoso na sala... Falando em vinho...Amigo, mais um Sauvignon por favor... Sim porque Franc convenhamos...........
E assim o segundo ato se desenrola e se tudo ocorrer como deveria e os monólogos forem parecidos o ato final encerra a peça com beijos ou tapinhas amigáveis nas costas e um 'devemos marcar de nos encontrarmos com mais freqüência'.
Fobia sim! Não as pessoas! Somente ao social. Porém como disse, não há com o que se preocupar, meu namorado, assim como eu, sabe que às vezes é necessário retornar as origens ancestrais e pular como todos de galho em galho para que todos vocês possam ficar tranqüilos e tentar aproveitar os anos que lhe restam. - Foi o que ela queria ter dito. Mas não disse. Sabia que no fundo, aquele homem sentia a mesma coisa, mas não diria, pois talvez ele achasse que ela ainda não sabia o quão superficial as pessoas realmente eram.
Ela sorriu e se foi.

Então é assim...



Quando a gente se dá conta, já acabou e a gente sente.
A presença da falta é tão grande que os gritos do silêncio nos ensurdecem para o mundo.
Sem apoio caímos no fundo de nós mesmos. Como não percebemos que a queda seria certa? Como podemos ser os únicos a enxergarmos as injustiças pelas quais passamos? Como poderemos conviver com a ausência da vitória ou com a falta de escolha?
Quando a gente se dá conta o eterno já acabou novamente e percebemos que não nos conhecemos mais. Percebemos que estamos vivendo uma vida na qual nossas lembranças recentes são tão antigas que é como se já nem nos pertencessem mais.
Quando finalmente compreendemos já partimos, já deixamos e decidimos e com um pouco de paciência, logo nos damos conta que tudo passou. Que sempre haverá portas para sair e também para retornar e é assim que as coisas são, nunca voltaremos os mesmos e nunca poderemos retornar a vida que um dia deixamos pra trás.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O que fazer quando...



... Possuímos sensibilidade demais porém nos falta talento?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O homem é bom?

“ A moral e o consenso não são características naturais ao seres humanos, mas uma espada afiada com a tarefa de matar a origem animal do dragão”. Huxley

Não acredito mais no "amor inato ao bem" de Rousseau, ainda que por muito tempo o tenha buscado. A vida tem me mostrado que os homens não são nem bons nem maus por natureza, apenas egoístas. Mas quando digo egoísta não estou criticando. Vejo isso como um instinto de proteção e perpetuação da espécie.
Mas de onde vem a moral, caso ela não corresponda a natureza humana? Ou resumindo: por que o homem é capaz de ser moral?
Pode simplesmente parecer um erro idiota da mãe natureza que em outros casos vem sendo bem sucedida em sua maioria de "lei do mais forte". Porém ser bom significa, em uma noção de mundo mais abrangente, trabalhar em grupo. Sentimentos consomem as mentes evoluídas. O que você recebe hoje, você tende a revidar ou retribuir amanhã. E esse processo é extremamente natural, talvez você não tenha inimigos, mas com certeza terá em quem confiar: amigos, família, amante. Podem-se ter muitos ou apenas um, dependendo do seu clã, mas sempre se tem alguém.
O altruísmo recíproco é inerente ao ser humano que tenta conviver da melhor forma com seus sentimentos na luta pela existência. Não fazemos o bem por simples bondade. Fazemos o bem para que possamos nos satisfazer como pessoa. Sempre esperamos um retorno no futuro, por mais que tentamos nos convencer do contrário.
Como seres afins aos macacos, não apenas nossas fraquezas, perfídias e egoísmos são resquícios de nossa origem, mas também nossas nobres características. Somos tão bons quanto somos ruins mesmo que isso não se manifeste. Em um mundo de equilíbrio, o ruim precisa se manifestar para que o bom tenha algum significado. O Homem como consciência do mundo deve apenas aceitar sua condição dúbia animal e admirar a perfeição do todo. Estando ele bom ou não.

domingo, 10 de maio de 2009

O palhaço


... esqueceu o que é sorrir voluntariamente... é fim de expediente e ele está cansado.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O atraso atrasa a vida

“A pontualidade é a gentileza dos reis”.
Luís XVIII
Dentre as muitas características próprias que, apesar de detestar, não consigo deixar de ter, a falta de pontualidade é a que, no momento, mais tem me causado constrangimentos. Tenho sentido na pele aquilo que é um lugar-comum: a falta de comprometimento com o horário causa desconfiança e perda de credibilidade. Mais ainda: o atraso atrasa a vida!
No entanto, penso que nem todos os retardatários são da mesma estirpe. Há aqueles que se atrasam para mostrar poder, para mostrar a todos quanto a sua importância para o grupo — chefes de Estado, como Fidel Castro, são ótimos exemplos disso. Penso não me incluir nesse grupo, posto que nunca quero me atrasar, mas sim a um outro numeroso grupo: o formado por aquelas pessoas que querem fazer tudo o que for possível em um mesmo dia, que insistem em brigar contra o sono porque “não fizeram nada de útil o dia todo”, mesmo que o dia tenha sido repleto de fatos e realizações, o que geralmente não ocorre. Assim, querem ler um extenso livro em uma madrugada, aprender uma linguagem de programação em uma noite, ouvir toda a discografia de um novo cantor de uma só vez, ou, simplesmente, aproveitar um pouco mais o fato de não ter nada pra fazer. O resultado dessa indignação, dessa busca incessante por coisas quaisquer? O futuro breve cobra a conta e nos rouba nosso tempo.
“A pontualidade é a virtude dos entediados”, dizia Evelyn Waugh, romancista inglês que, percebe-se, não tinha muito apreço pelo relógio. Por um lado, concordo com ele e vejo que, de fato, à maioria das pessoas que são cumpridoras de horário falta algo como “existência interior”, vivendo seus dias em certa em monotonia, vivendo para o exterior, como se não soubessem como utilizar seu tempo. Sempre precisando de uma atividade para guiá-lo. Porém, em contraponto, percebo que essas mesmas pessoas geralmente são mais bem vistas pela sociedade (merecidamente, é justo frisar) e levam uma vida com menos sobressaltos, para dizer o mínimo. Agora, é bom ter uma vida com poucos sobressaltos? Não sei, pois simplesmente não consigo me contentar com a idéia que alguém ou algo toma controla minhas decisões. Sempre quero fazer outra coisa, por menos que trabalhe por menos tempo que cumpra qualquer obrigação.
Deve ser latente, pelo exposto acima, que a questão não é que eu tenha aversão ao cumprimento de horário, mas sim a obrigação. Deve haver algum fator, quer seja psicológico ou cultural, que faz, obstinadamente, com que eu viva lutando contra os ponteiros do relógio. Com franqueza, posso assegurar que ser um retardatário angustia, faz com que se sinta sempre em dívida com os outros — colegas de trabalho, família, amigos, affaires, especialmente quando a pessoa esforça-se, mas, não obstante, é incapaz de honrar seus compromissos.
Por fim, juro que não sou um vagabundo. Mas é como se fosse. Preciso ler mais o post sobre responsabilidade...

Infelizes, não se deprimam!


Conheço, e imagino que todos devam conhecer, gente que se diz deprimida. Ninguém mais se considera infeliz, ou mesmo triste: todos aqueles que estão em dias ruins estão “em depressão”. Embora pareça uma diferença tola, isso está longe de ser uma questão meramente semântica.
A depressão está associada a problemas patológicos, necessita de tratamento, geralmente com uso de ansiolíticos e antidepressivos. A tristeza, por outro lado, é tão-somente um estado natural da vida de toda e qualquer pessoa — ou deveria ser assim, ao menos. A tristeza existe somente para que a felicidade encontre uma razão de existir. A morte existe para que possamos dar valor à vida. Bem como a mágoa, o ódio e tantos sentimentos negativos. Reconhecemos a beleza do bom, apenas porque mais cedo ou mais tarde o perderemos. Infelizes! Celebrem já sua dor!
A principal diferença reside no fato de que, para o infeliz que se julga em depressão, a felicidade é um direito irrevogável. Caso não esteja feliz, é devido a um distúrbio neurológico, jamais graças ao modo de viver e ver a vida. Almejam um hedonismo permanente, só que por vias sintéticas, em vez de buscarem o próprio desenvolvimento para sentirem-se satisfeitas. É preciso olhar bem fundo para si mesmo e antes de buscar subterfúgios médicos, procurar descobrir o que realmente se precisa.
A melancolia, sugerem os autores de tempos mais remotos, acompanha a humanidade desde que se há registros. É totalmente natural, como Cervantes diz: “as tristezas não foram feitas para os animais, mas para os homens”. É uma pena para mim, que essa “supremacia humana” seja levada tão a sério e faça com que nós, humanos, busquemos algo inexistente, motivado por razões místicas e patéticas de felicidade eterna. Somos acima de tudo animais e por tal razão somos escravos de nossa própria natureza. A sabedoria e supremacia humana não estão em tentar modificar as leis impostas por ela, mas de canalizarmos nossa inteligência para fazer o melhor, em nosso benefício, com as ferramentas que nos foram dadas. Mas parece, contudo, que à sociedade moderna não se agrada em continuar sendo humana. Está mais preocupada em focar sua consciência em meros impulsos infantis do que a admirar a necessidade dos extremos. É preciso querer, é preciso perder, é preciso chorar, é preciso enxergar tudo isso e aceitar que todas essas etapas são necessárias para que possamos experimentar e sentir este mundo ao máximo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sobre Responsabilidades


Geralmente as crianças atribuem a seus pais as responsabilidades por todas as coisas. Quando tropeçam e caem vão correndo mostrar o ferimento a eles. Quando cansam de um determinado brinquedo entregam-no para os pais e vão fazer o que bem entendem. Se estiverem com fome, apenas pedem por comida e num piscar de olhos ela aparece quentinha em pequenas porções em sua boca. Porém não só suas necessidades e problemas estão sobre responsabilidade de seus pais, suas ações também estão sobre o controle dos mesmos, uma vez que até o final da adolescência não temos total noção de certo e errado. Mas e depois? Essa noção simplesmente surge? Quando nos damos conta, já somos adultos, pseudo independentes. É como se sem ao menos notar nos tornemos mestres de nossa própria história. Percebemos que fomos jogados aqui sem manual, com uma pilha de tarefas a cumprir nas costas sem ninguém para transferir a culpa pelas conseqüências de nossos atos.
Muitas vezes, estacionamos nossas vidas num período quase que infantil em que é mais cômodo transferir as responsabilidades. É menos penoso ter alguém para culpar!
Passamos pela vida ignorando soluções e caminhos como se não fôssemos parte criadora do mundo.
A semeadura é opcional, temos o livre-arbítrio de escolher as sementes, preparar o solo e fazer o cultivo da forma que bem desejarmos. Entretanto, a colheita é obrigatória. Lembre-se: a colheita é sua, logo, a responsabilidade é sua também!
Nem sempre as decisões são simples, entretanto, elas são sempre nossas e de mais ninguém. Nós desfrutaremos dos resultados de cada escolha que fizermos e essa responsabilidade é intransferível.
É interessante observar como ser humano tende a entregar-se ao sofrimento para mascarar sua covardia. Sofrendo por tudo e por todos, como agente passivo da própria vida. Quanto tempo jogado fora nessa busca sem retorno. A reflexão é essencial na trajetória de busca de cada um, envolver-se com as formas de apresentação da vida equivale a um grau mínimo de importância de si mesmo. Só fazem com a gente aquilo que permitimos, e no momento em que relevamos uma determinada situação estamos condenados a assisti-la repetidas vezes.
Exercer a liberdade de escolha envolve um processo íntimo de amor na relação que você tem consigo aonde o medo inicial transforma-se na gratificação da conquista e no suspiro aliviante de se ter algo realizado. Lutemos então, diariamente para não perder esse poder gratuito por responsabilidades que deixamos de assumir.

domingo, 3 de maio de 2009

Lucidez expressa de uma maneira singular



Quando Rebeca achava que a única solução para acabar com suas neuroses era dando um final a sua vida, olhou para baixo e pensou na sujeira que iria fazer e desistiu.

sábado, 2 de maio de 2009

Sobre Intelectuais


Impressiono-me com pessoas altamente intelectuais. O programa Roda Viva realmente me remete as entranhas de minha insignificância. Dependendo do tema fica até difícil entender e mais impressionante que as respostas do entrevistado, são as perguntas feitas a ele. Como admiro a capacidade de elaborar uma boa pergunta. Somente sabendo expressar nossas dúvidas com exatidão e profundidade é que chegaremos ao verdadeiro conhecimento. Conhecimento este que foge ao público comum. Conhecimento derivado de muitas perguntas e respostas, noites sem dormir, leituras e reflexões. Que dádiva é essa que faz com que apenas um pequeno grupo consiga compreender uma pergunta e admirar sua resposta? Qual treino mental é necessário para que nosso cérebro traduza uma seqüência por vezes tão complexas de palavras e molde nossos pensamentos?
Educar o cérebro a visualizar coisas intangíveis além de ampliar nossa imaginação e criatividade pode também ser uma forma de desviar nossa atenção de problemas mesquinhos do cotidiano. Sentir que pensamos a frente e a fundo gera uma auto admiração. Uma sensação de controle e noções de mundo quase sobre humanas. A devoção ao saber pode por outro lado levar ao isolamento e ao cansaço do trivial. O que fazer quando as pessoas ao redor não falam sua língua? Quando elas estão presas a sentimentos banais e tolos simplesmente por deixarem suas mentes serem devoradas pela rotina, vivendo externamente nem um pouco focadas com seu crescimento intelectual?
Haveria uma linha limite? Um momento em que a bênçãos da ignorância se vai e a maldição da corrida do saber começa? Um momento pelo qual a partir dele todos os assuntos que não sejam desafiadores, instigantes e passíveis de debate tornam-se desinteressantes? Aonde explicar já não faz sentido, pois leva tempo e não será assimilado?
Realmente me impressiono com pessoas intelectuais, pois eles mudaram o foco. Deixaram de ser vítimas. São protagonistas, pronto para dar um show, ou ao menos sentir a quase maldade cômica de iniciar um espetáculo.

Eloísio, é domingo!

Hoje és dono do teu dia e podes fazer o que quiseres.
Por isso escolhes fazer nada.
Como é boa a sensação de poder não fazer coisa alguma.
Dias seguidos de escravidão e serventia servem somente para que possas saborear este momento. Hoje podes ser tu mesmo. Ainda que isso te entristeça. Tua vida é uma farsa e no fundo tu sabes. Sabe de todas as coisas que preferiu não pensar até o dia de hoje. Todas as coisas que fingiu acreditar, que deixou de fazer e falar. Sabia que elas viriam te fazer companhia. Os pensamentos alheios te soam banais, os teus inquietantes, por isso seguiste acenando tua cabeça e sorrindo em concordância. Colocam-te sempre em prova e duelam com tua sanidade mostrando que mais uma vez tu fizeste menos do que deveria por ti. Mostram mais uma vez o quanto precisas ser forte e agir... o quanto precisas te mexer...sendo que hoje eu só querias descansar.
Até que ponto tua felicidade é realmente tua se necessitas de outrem nela? Até que ponto deves tentar? Até que ponto vale à pena acreditar que podes vir a acreditar-te. Já é tarde, e mais uma vez o teu descanso te cansa. Mais uma vez nada mudou. Mais uma vez falhaste naquilo que prometeste a ti mesmo não fazer de novo. Seja magoar ou deixar magoar-se.