
Geralmente as crianças atribuem a seus pais as responsabilidades por todas as coisas. Quando tropeçam e caem vão correndo mostrar o ferimento a eles. Quando cansam de um determinado brinquedo entregam-no para os pais e vão fazer o que bem entendem. Se estiverem com fome, apenas pedem por comida e num piscar de olhos ela aparece quentinha em pequenas porções em sua boca. Porém não só suas necessidades e problemas estão sobre responsabilidade de seus pais, suas ações também estão sobre o controle dos mesmos, uma vez que até o final da adolescência não temos total noção de certo e errado. Mas e depois? Essa noção simplesmente surge? Quando nos damos conta, já somos adultos, pseudo independentes. É como se sem ao menos notar nos tornemos mestres de nossa própria história. Percebemos que fomos jogados aqui sem manual, com uma pilha de tarefas a cumprir nas costas sem ninguém para transferir a culpa pelas conseqüências de nossos atos.
Muitas vezes, estacionamos nossas vidas num período quase que infantil em que é mais cômodo transferir as responsabilidades. É menos penoso ter alguém para culpar!
Passamos pela vida ignorando soluções e caminhos como se não fôssemos parte criadora do mundo.
A semeadura é opcional, temos o livre-arbítrio de escolher as sementes, preparar o solo e fazer o cultivo da forma que bem desejarmos. Entretanto, a colheita é obrigatória. Lembre-se: a colheita é sua, logo, a responsabilidade é sua também!
Nem sempre as decisões são simples, entretanto, elas são sempre nossas e de mais ninguém. Nós desfrutaremos dos resultados de cada escolha que fizermos e essa responsabilidade é intransferível.
É interessante observar como ser humano tende a entregar-se ao sofrimento para mascarar sua covardia. Sofrendo por tudo e por todos, como agente passivo da própria vida. Quanto tempo jogado fora nessa busca sem retorno. A reflexão é essencial na trajetória de busca de cada um, envolver-se com as formas de apresentação da vida equivale a um grau mínimo de importância de si mesmo. Só fazem com a gente aquilo que permitimos, e no momento em que relevamos uma determinada situação estamos condenados a assisti-la repetidas vezes.
Exercer a liberdade de escolha envolve um processo íntimo de amor na relação que você tem consigo aonde o medo inicial transforma-se na gratificação da conquista e no suspiro aliviante de se ter algo realizado. Lutemos então, diariamente para não perder esse poder gratuito por responsabilidades que deixamos de assumir.
