O que é o perdão?
É esquecer? Como ser agente ativo de tal mudança? É ser capaz de ressignificar um acontecimento de forma tal que ele não mais nos cause sentimentos múltiplos como dor, mágoa, raiva, ressentimento, humilhação ou desilusão? A mudança é por conta de um insight, de uma transformação pessoal ou deriva do desgaste natural do tempo?
Quando alguém nos fala que perdoou, mas não esqueceu,podemos confiar que esta afirmação seja verdadeira?
Existiria uma afirmação verdadeira relacionada aos sentimentos dessa pessoa ou apenas a forma como ela reage a seus sentimentos perante as outras pessoas?
Seria o tão famoso perdão apenas o controle dessa dor? Afinal o sumiço da dor em si,não nos é passível de escolha, somente nossas atitudes frente aquilo que nos feriu.
É possível perdoar sem esquecer? Perdoamos realmente?
Uma relação foi inexoravelmente alterada em função de uma atitude, de um comportamento de uma pessoa que causou uma ferida psíquica no outro elemento da relação.
Este outro consegue, através do chamado perdão, não desfazer o vínculo que o unia ao agente da dor. Será que ele consegue manter o vínculo existente ou o que existia jamais existirá de novo? Será que se praticarmos nos sentir bem em relação aquela pessoa isso passa a ser verdade? Como se acostumássemos nossas cadeias neurais a ter uma resposta diferente? Sendo assim estaríamos no controle certo?
Ainda errado. Pois haveria assim outra força que nos faria querer agir assim. Seria isso um processo evolucionário?
Perdão então é ser capaz de salvaguardar a memória do que foi bom e sustentar estes restos durante a construção de uma nova relação? O perdão é uma espécie de reset ou botão de atualizar como o existente nos PCs?
Perdoar, mas não esquecer o quê?
Não esquecer a injúria ou não esquecer o que de bom existiu antes da dor?
segunda-feira, 22 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Mariella

Ninguém sabia como Mariella se sentia. Ela há muito já havia parado de tentar fazer com que o mundo a enxergasse. Ela não era feia, apesar de as poucas vezes em que foi a mais bela de alguma ambiente, essa situação não importasse.
Ela podia não se sentir a mais bonita, mas com certeza sabia que era a mais inteligente. Era sábia a ponto de visualizar sua insignificância e a mediocridade do egocentrismo alheio. Por diversas vezes se pegava pensando que se tivesse tanto conhecimento sobre determinado assunto quanto o fulano ela o usaria de melhor forma.
Mariella era deslumbrada, e sabia que era diferente, apesar de ainda ter esperança de não ser única. Queria encontrar uma companhia, que fosse como parte de seu próprio espírito. Que tivesse seguido caminhos que ela um dia adoraria percorrer. Que suas lembranças fossem espelhos do seu futuro alternativo mais promissor.
Alguém que a desse a certeza e a verdade que o mundo mascara.
Alguém para quem ela pudesse sempre correr,
Alguém que a protegeria como a si mesmo.
Alguém que ouviria suas dúvidas e sempre tivesse um comentário, seja ele inteligente ou engraçado a fazer. Que vivesse em busca de algo. Sempre. Profissionalmente, pessoalmente e de maneiras que ela viria a aprender.
Alguém com quem dividiria suas emoções e seu mundo. Alguém que a veria de verdade e que tivesse uma pitada de medo de perdê-la. Alguém que fosse suficiente a ponto de fazê-la suspirar sem preocupá-la. Alguém que lhe passasse segurança e estabilidade.
Mariella já teve alguns alguéns, no momento o alguém ao seu lado possui alguma das características, as melhores que ele pode ter, fundamentais hoje aos olhos de Mariella, mas não suficientes para uma garota que aprendeu a conviver com a insatisfação e a lidar com seu instinto natural de decepcionar aqueles que dão o melhor de si por ela.
Mariella busca mais, ou não seria ela mesma.
Seu corpo levantou no mesmo horário que ontem, para fazer as mesmas coisas de sempre.
Sua mente está em repouso, aninhada em sua cama, descansando até que valha a pena acordar, pois o mundo...bem, este parece preferir seu piloto automático.
Mariella sabe que merece mais e que com mais poderia ser mais.
Seus olhos perdidos, ao longe, se voltam ao sinal que agora abre. Olhos atentos, mas ainda cansados de ver tanta falta de opção, em sua mente apenas uma frase, repetindo na dimensão de um tempo qualquer.....
...Alguém que ela admirasse...
...Alguém que ela admirasse...
...Alguém que ela admirasse...
...Alguém que ela admirasse...
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