
Presa e esquecida pela pressão gravitacional de universos exteriores nossa alma coringa adormece no interior do tudo.
Carregamos algo que não conhecemos, presos dentro de algo que não escolhemos, para fazermos algo do qual não fomos informados.
Nesse processo lento, tedioso e repetitivo de viver, o quê importa é continuar tentando entender arquétipos insolúveis que nos atormentarão pelo resto de nossas vidas.
O Coringa em nós reconhece ser, para o mundo exterior, apenas o que pensam sobre ele. Dá-se conta que o único universo que conhecerá é o que enxergará através de seus olhos curiosos e por isso busca, em meio à luta da casca que se renova constantemente, encontrar aquele que irá reconhecê-lo.
Quando duas singularidades se encontram, o Coringa treme. Cansado de não ser ouvido, ele se apavora ao ver a si mesmo nos olhos alheios. Sente medo, pois vê que agora é hora de acordar.
Uma palavra, um gesto, uma canção. Tudo começa a fazer sentido. O interior começa a aflorar e a tomar conta do exterior. Já não podemos esconder os sentimentos antes imperceptíveis aos outros. A vida toma outro prisma e o presente se transforma em expectativa. As singularidades se encontram e sentem uma necessidade quase evolutiva de se reunirem depois de tantos bilhões de anos.
Nesse momento, com um pouco de sensibilidade é possível notar que a felicidade proveniente do amor é a consciência humana mais próxima da verdade de sermos todos poeira estelar a caminho da unificação plena.
