
Em um relacionamento é muito natural que com o passar do tempo acabemos por nos chatear com alguma ação da outra pessoa. Seja ela com ou sem intenção. Entendo por discutir a relação um momento futuro ao fato aonde ambos tentam lembrar a seqüência ocorrida. Dependendo do desgaste da relação é bem possível que essa discussão seja apenas um baú cheio de miudezas antigas e sem maior relevância ao outro. Relembrar momentos assim pode tornar tudo complicado.
As mulheres em geral atuam em pólos extremos. Ou são completamente malucas a ponto de causarem escândalos em qualquer lugar ou (acredito que em sua maioria) tentam controlar sua fúria para o exterior esperando o momento mais propício, que geralmente se dá horas ou até dias depois. Sem perceber, mudamos o foco da conversa para a capacidade de armazenar memórias e de traduzi-las em palavras. Aonde um pequeno deslize no que se falou, uma pequena confusão na seqüência de fatos, pode condenar o parceiro como culpado.
Por quê então temos a necessidade de externar nossas mágoas? Por quê motivados pelo medo de ser abandonado ou por uma dificuldade de dividir a atenção alheia somos dominados por essa vontade absurda de fazer o outro se sentir culpado? Mesmo quando conscientemente saibamos que discutir a relação na maioria das vezes só tende a piorar as coisas?
Os homens geralmente não gostam de sentir que não estão cumprindo seu papel de provedor e protetor da mulher. O medo e a raiva dela a impede de ver tamanha é a vergonha alheia de assumir seus erros ou até mesmo o quão difícil é para o parceiro sobrepujar seu ego e analisar suas ações.
Talvez a conexão entre um casal em momentos como este seja dada pela forma como ambos encaram medo e vergonha e pela sua capacidade de lembrar momentos passados.
Talvez seja comum a raça feminina a necessidade de presenciar uma mudança através de uma onda de emoção.
Os homens por sua vez, são moldados pela sociedade para se manterem estáveis no que diz respeito a emoções e esse tipo de situação os coloca contra a parede, como animais acuados em territórios desconhecidos.
Como resolver?
Existirá uma pessoa com quem possamos conversar como se falássemos com nós mesmos? Seria então, a duração de um relacionamento dada através da capacidade da mulher de conter suas emoções frente ao que lhe causa dor? Que liberdade temos quando nossa sanidade se baseia em controlar sentimentos naturais?
Viver é uma prática, diária. Erramos, perdemos o controle, nos arrependemos e tentamos de novo. O importante é mudar o foco. Não discutir o que está errado, apenas apontar o que é bom. E se por ventura as ações de um remeterem a mágoas e dores constantes, deveríamos parar com a idéia de mudar o outro e ver que a mudança deve vir de nós seja ela com o termino da relação ou com uma mudança de atitudes.
