..."Os seus olhos devem ser só dos meus olhos"...
Medo de não agradar, de parecer tola, inferior.
Ciúme.
Tristeza.
Decepção.
Quando esses sentimentos começam a serem espelhados nas ações rotineiras do outro, acho que é aí que o amor troca os óculos da paixão pelas lentes da insegurança. Lentes quase imperceptíveis, fazendo com que até o Coringa duvide da realidade nata. Disperso entre a imagem retorcida pelas lentes, fica difícil saber quais obstáculos são reais.
É quase impossível ver com clareza, mas ele se concentra, afinal não é a primeira vez que percorre esse tipo de trajeto. Os caminhos são diferentes mas os obstáculos parecem serem os mesmos.
Coragem, concentre-se, cale-se.Não há mais como fugir
Possessão.
Raiva.
Ansiedade.
Não há mais como fugir do foco inimigo. O Coringa quer voltar, entrou em uma realidade interna e grita por socorro. Não há ninguém pra ajudar, somente lembranças, por isso seja forte. Vença esse instinto que acompanha sua casca. O Coringa e o animal dividem o mesmo espaço, porém desde que o amor chegou (será?) os ouvidos do Coringa estão muito sensíveis, ele se sente anestesiado, torpe e incapaz.
Um olhar é suficiente.
Nocaute.
Um buraco de minhoca para o inferno. Insegurança! Maldita insegurança que por muito tempo não “nos” visitava. Chega repentinamente, escravizando os olhos e sufocando o coração. O rosto tenso, os lábios como um armário abarrotado de caixas pesadas, seguradas pelo Coringa.
Ele está cansado. O encanto passou. Está apertado demais. Visitas inconvenientes em um momento tão complicado.
Meus primeiros ciúmes debutando na mediocridade do meu ser.
O que isso quer dizer? Onde errei? Se é que errei...
Deixa pra lá... Esse universo ficou pra traz. O coringa hoje sabe como vencer seu lado animal.
Liberdade.
Amor próprio.
Confiança.
Plenitude.
Calma.
Amor.
O Coringa enfim vence. Criador de um universo que se orquestra para realizar todos os meus desejos, ele aprendeu hoje mais uma lição.
Tu me perguntas se há algo errado. E com um sorriso cansado te digo : “nada não amor...”
